Aprovados no ITA que perderam vaga em testes toxicológicos, de peso e de cor da pele recorrem à Justiça

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SÃO PAULO - Aos 20 anos, o estudante Eduardo Zindani decidiu fazer vestibular no Brasil. Alfabetizado em inglês, traçou uma meta ousada: o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos, São Paulo. Enquanto no MIT, em Cambridge, nos EUA, maior centro de estudos tecnológicos do mundo, apenas 9% dos candidatos passam, no ITA este índice é de menos de 2%. Eduardo conseguiu uma das 150 vagas do instituto disputadas por 9.725 alunos este ano. Mas por ter usado um calmante à base de canabidiol, substância extraída da maconha, levou bola preta dos militares. Hoje, estuda graças a uma liminar.

— Eu morava na Inglaterra, onde o uso do canabidiol é autorizado sem receita. Estava muito nervoso com a prova de redação e gramática e minha mãe me deu o calmante para controlar a ansiedade — relata Eduardo.

No último exame, pela primeira vez, o ITA aplicou o teste toxicológico. É uma das novidades no processo de ingresso do instituto que mostra preocupação com a realidade que vai além de seus muros. Mas as novas regras criaram conflitos com hábitos e mudanças de comportamento. Por isso, além de estudar muito, candidatos têm recorrido a liminares para conseguir entrar. Alguns foram excluídos porque se declararam negros mas foram considerados brancos por uma banca examinadora. Ou porque estavam acima do peso.

Na ação contra o ITA, o advogado de Eduardo defende que o canabidiol não é entorpecente nem é ilícito. Mas as instruções das inspeções de saúde da Aeronáutica, redigidas antes de a Anvisa liberar a substância, preveem que o uso de qualquer derivado da maconha é motivo de inaptidão. E no Brasil, o produto requer receita médica.

Este ano, 22 estudantes viram o sonho da vaga no ITA virar pesadelo nas fases posteriores às provas. Thiago do Carmo Rodrigues Pinto, de 19 anos, não esquece o dia 11 de janeiro, quando, depois de ter passado no vestibular do instituto para cursar engenharia aeroespacial na cota para alunos negros e pardos, foi desclassificado pela chamada comissão de heteroidentificação. Para o grupo que o examinou, Thiago é branco.

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