Aquecimento da Parada LGBT reforça segurança por proximidade com cracolândia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma fileira de seguranças privados ocupa cada uma das entradas da Feira da Diversidade, organizada nesta quinta-feira (16) no largo do Arouche, no centro de São Paulo. Em meio às barracas, ao menos seis carros da GCM (Guarda Civil Metropolitana) se concentram em uma das calçadas.

Principal evento de aquecimento da Parada LGBT, marcada para este domingo (19), a feira teve segurança reforçada neste ano por causa da proximidade com a cracolândia, fixada a poucos metros, na rua Helvétia. "Contratamos mais agentes privados para evitar invasões", diz Claudia Garcia, presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, que organiza os dois eventos.

Mais cedo, quando as barracas começaram a funcionar, um dos expositores disse que um grupo de dependentes químicos entrou no espaço delimitado por cavaletes de ferro, e a organização pediu reforço no efetivo da Polícia Militar. A reportagem procurou a SSP (Secretaria da Segurança Pública) para comentar, mas não teve retorno até a publicação.

Os PMs estavam posicionados em frente a uma das barracas mais concorridas, que vende adereços com as cores do arco-íris, símbolo que representa o orgulho LGBT. "Dos eventos dessa retomada pós-pandemia, a Parada era o evento mais esperado. Frequento há mais de 20 anos", diz o relações públicas Antônio Montano, 46. Ele e o marido compraram um copo colorido de plástico com o logotipo do evento.

Em outra barraca, que vendia itens de sex shop, a sensação era pelo brinquedo que simula uma disputa de masturbação com objetos de plástico. "Quem vence ganha um brinde", incentiva a dona da loja, Mariana Marques. Os ganhadores levam um gel estimulante.

É a primeira vez que ela vende na Feira da Diversidade. "As pessoas estão mais abertas aos brinquedos eróticos", diz.

Com cerca de 50 stands, a feira reuniu entidades privadas e públicas de defesa da causa LGBTQIA+. Uma das barracas oferecia teste gratuito de HIV.

FILA PELO NOME SOCIAL

A estudante Ruby Cinigalha, 20, chegou cedo ao largo do Arouche para participar da iniciativa de uma marca de cerveja para retificar o nome social de pessoas trans. "Já tinham 70 pessoas na minha frente", disse após abraçar o namorado com o papel que dá início ao processo de troca dos documentos.

Segundo a diretora de marketing da Amstel, Vanessa Brandão, cerca de 800 pessoas fizeram o pré-cadastro, bem mais do que a capacidade de atender 200 pessoas na barraca montada no local. "Vamos continuar nos próximos dias para dar conta da demanda", diz.

Os custos para alterar o nome na carteira de identidade chegam a R$ 500 e podem demorar meses. A iniciativa arca com esses custos e agiliza o processo, segundo a diretora de marketing.

Ao lado do namorado Samuel Papellas Szabo, 22, a estudante comemorou. "Toda vez que preciso mostrar a identidade digo que está errado. Não me reconheço naquela pessoa", diz.

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