Aquecimento global acelera poluição da Baía de Guanabara, diz estudo

Lixo é visto na Baía de Guanabara, na altura do Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro (RJ). (Foto: José Lucena/Futura Press)

Um estudo realizado pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) para identificar indicadores da qualidade da água da Baía de Guanabara chama a atenção para o aumento da poluição, que é potencializada pelo aquecimento global.

As informações são do jornal O Globo.

Além de danos à natureza, o relatório mostra que décadas de descaso com a Baía de Guanabara são agravadas pelo lançamentos de esgoto rico em fósforo e nitrogênio, transformando o mar numa mistura tóxica de bactérias similares ao vibrião do cólera, causadoras de doenças em seres humanos e animais marinhos.

Nos seres humanos, essas bactérias provocam infecções de pele, intestino e septicemia. Elas também atacam peixes e estão associados ao embranquecimento de corais.

O coordenador do estudo, Fabiano Thompson, pesquisador do Instituto de Biologia da UFRJ e do Coppe (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da UFRJ), explica que o aquecimento global deixa a água do mar mais quente e acelera a multiplicação de micro-organismos nocivos, chamados vibrios. Com isso, o calor também altera o metabolismo das bactérias, e elas passam a liberar mais toxinas.

A Baía de Guanabara tem 380 quilômetros quadrados de área e banha 15 municípios, envolvendo um total de cerca de 10 milhões de habitantes.

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Foram coletadas amostras de água em vários pontos de três áreas da Baía de Guanabara: na entrada, sob a ponte Rio-Niterói e junto à Ilha do Fundão. Esta última é a área considerada mais crítica. Segundo a pesquisa, a geografia do lugar faz com que a circulação seja reduzida e haja pouca renovação de água do mar. Além disso, a área é rasa e recebe intenso lançamento de esgoto.

“A temperatura e a salinidade são fatores fundamentais na abundância de bactérias, incluindo as nocivas. Nossa descoberta tem implicações para o desenvolvimento de estratégias para reduzir a poluição e controle de riscos na Baía de Guanabara”, destacou Thompson ao jornal O Globo.

As temperaturas do oceano estão batendo recordes há diversos anos consecutivos, e na Baía da Guanabara as constatações não são positivas. Em um ponto de coleta, a água chegou a 31 graus Celsius enquanto que o normal oscila em torno de 23 graus.

OFERTA DE FÓSFORO E NITROGÊNIO

O problema é que os vibrios das muitas espécies existentes adoram água quente e representam uma ameaça a vida marinha. Com uma oferta maior de fósforo e nitrogênio presente no esgoto, eles encontram todas as condições que precisam para ter uma explosão populacional. “É uma água muito quente, e a elevação tem impacto brutal no agravamento da poluição”, diz Thompson.

No oceano limpo, há de 50 a cem vibrios por cada mililitro de água. Na boca da baía, essa concentração chega a 200 vibrios por ml. Mas, no Canal do Cunha, nas proximidades do Fundão, foram medidos 10 mil vibrios por ml e, em algumas ocasiões, até 20 mil/ml.

À medida que o oceano continuar a se aquecer, os efeitos se tornarão ainda piores. “Temos na baía o cenário mais apropriado possível para bactérias nocivas. E o pior para o meio ambiente. A baía se tornou uma sopa tóxica, e mudanças no clima a degradarão ainda mais”, alerta o cientista.