Arábia Saudita entra no grupo: relembre as maiores zebras da história das Copas do Mundo

A surpresa provocada pela Arábia Saudita na abertura do Grupo C da Copa do Mundo do Catar, com uma vitória de virada sobre a Argentina, por 2 a 1, coloca a seleção do Oriente Médio em um grupo seleto: o de zebras históricas dos Mundiais. E os argentinos conhecem bem o que é isso.

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Em outras duas ocasiões, nas Copas de 1990 e de 1994, a seleção argentina também foi vítima de azarões que desbancaram favoritas. A história de zebras em Mundiais remonta desde a Copa de 1950, a primeira disputada no Brasil, quando a Inglaterra foi derrotada pelos Estados Unidos por 1 a 0 na segunda rodada da fase de grupos.

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Aquele resultado foi surpreendente porque os ingleses, no posto de inventores do futebol, nunca haviam topado disputar uma Copa até então e eram considerados amplamente superiores aos EUA, país mais acostumado à sua própria versão futebolística, disputada com a bola oval. Esta zebra inspirou várias outras seleções nas décadas seguintes. Confira, a seguir, algumas das mais notórias:

2014 - Costa Rica

Liderada pelo meio-campista Brian Ruiz e pelo goleiro Keylor Navas, a seleção da Costa Rica desbancou o chamado "grupo da morte" da Copa do Mundo disputada no Brasil, com vitórias sobre Uruguai e Itália e um empate com a Inglaterra. Após se classificarem em primeiro naquela chave, os costarriquenhos superaram a Grécia nos pênaltis, nas oitavas de final, com grande atuação de Navas. Mas não resistiram a outra disputa de pênaltis, contra a Holanda, nas quartas de final.

2010 - Paraguai

Em sua melhor campanha na história das Copas, um Paraguai liderado em campo pelo centroavante Roque Santa Cruz avançou na primeira colocação em um grupo que tinha a Itália - novamente vítima de uma zebra. Na estreia, os paraguaios seguraram um empate com a seleção italiana, que acabaria na última colocação após perder pontos também para Nova Zelândia e Eslováquia.

O Paraguai, enquanto isso, ainda eliminou o Japão nas oitavas de final, nos pênaltis, e deu trabalho à Espanha, futura campeã, nas quartas de final. A seleção paraguaia conseguiu tudo isso sem um de seus principais jogadores à época, o atacante Salvador Cabañas, que havia deixado o Maracanã em choque atuando pelo América do México contra o Flamengo em 2008. Cabañas foi baleado na cabeça em janeiro de 2010, em uma casa noturna no México, e foi obrigado a deixar o futebol.

Outra curiosidade daquela campanha paraguaia foi a performance da modelo Larissa Riquelme, que chamou atenção na torcida pela seleção e se tornou um dos ícones da Copa.

2002 - Senegal e Coreia do Sul

A seleção de Senegal deu o cartão de visitas da Copa de 2002, como palco propício para os azarões, ao vencer os então campeões mundiais da França por 1 a 0 logo no jogo de abertura. Os senegaleses só seriam parados nas quartas de final, pela Turquia, outra seleção que surpreendeu no torneio.

Os turcos só não podem ser considerados azarões porque fizeram uma campanha derrubando outras zebras muito maiores. Uma delas foi a anfitriã Coreia do Sul, que havia deixado pelo caminho a Espanha, nas oitavas de final, e a Itália, nas quartas, em jogos marcados por arbitragens polêmicas. Na decisão do terceiro lugar, deu Turquia contra a Coreia do Sul.

1994 - Bulgária e Romênia

A seleção búlgara, comandada pelo artilheiro da Copa de 1994, Hristo Stoichkov, foi a zebra que chegou mais longe naquele Mundial. E começou a fazer História justamente com uma vitória sobre a Argentina, na última rodada da fase de grupos, por 2 a 0.

Depois, a Bulgária eliminaria o México, nos pênaltis, e surpreenderia mais uma vez a todos com uma vitória sobre a Alemanha nas quartas de final. Em uma semifinal acirrada contra a Itália, acabou perdendo por 2 a 1 para a seleção que faria a decisão contra o Brasil.

Os argentinos, por sua vez, acabaram se classificando apenas como um dos melhores terceiros colocados após a derrota para a Bulgária, o que os colocou no caminho da Romênia nas oitavas de final. Comprovando seu retrospecto de "chama zebra", a Argentina caiu para a seleção liderada pelo talentoso George Hagi, por 3 a 2.

1990 - Camarões

O "poder" argentino de sucumbir para azarões já havia dado as caras na Copa de 1990, quando os hermanos perderam para Camarões na fase de grupos, por 1 a 0. Naquele jogo, o veterano atacante Roger Milla saiu do banco de reservas quando o placar já estava resolvido. Milla deixaria sua marca nos jogos contra Romênia, na rodada seguinte, e contra a Colômbia, nas oitavas de final, lançando ao mundo a famosa comemoração dançando na bandeira de escanteio.

Os camaroneses acabaram derrotados pela Inglaterra, nas quartas de final, com um gol na prorrogação. Naquela Copa, apesar do susto na fase de grupos, a Argentina chegou à decisão, mas foi vice para a Alemanha.

1966 - Coreia do Norte

A seleção norte-coreana fez sua estreia numa Copa do Mundo em 1966, na Inglaterra, e "chegou chegando": venceu a Itália na rodada decisiva da fase de grupos e avançou às quartas de final, quando fez um jogo de oito gols contra Portugal, do craque Eusébio. Os portugueses levaram a melhor, por 5 a 3, de virada, depois de estarem perdendo por 3 a 0 na meia hora inicial de jogo.