Ex-conselheira catalã Clara Ponsatí se entrega à polícia na Escócia

Edimburgo (Reino Unido), 28 mar (EFE).- A ex-conselheira do governo autônomo da Catalunha Clara Ponsatí se entregou nesta quarta-feira em Edimburgo, onde foi detida para responder à ordem europeia ditada pela Justiça espanhola.

Ponsatí é acusada pela Justiça espanhola dos delitos de rebelião e mal uso de fundos públicos relacionados com a organização do referendo realizado em 1 de outubro de 2017 na Catalunha.

A que ex-responsável de Educação no governo do independentista Carles Puigdemont, também foragido da justiça, confirmou em Edimburgo que recorrerá do processo de extradição tramitado pela Espanha.

"Depois que entramos na delegacia de polícia, a minha cliente será formalmente detida e será aplicada a ordem de detenção europeia", disse o advogado de Ponsatí, Aamer Anwar, em uma breve declaração à imprensa antes de entrar no local.

Às portas das dependências policiais se reuniram cerca de 20 manifestantes que compareceram para mostrar apoio a Ponsatí, que chegou sorridente às 10h45 local (8h45, em Brasília).

Anwar afirmou que "as autoridades espanholas" desejam extraditar Ponsatí "por acusações de rebelião violenta e apropriação indevida de fundos para a organização do referendo".

"A minha equipe legal tem instruções para defendê-la de maneira robusta, em vista que ela considera as acusações uma perseguição política", apontou o advogado.

Anwar acrescentou que a ex-conselheira considera que não há garantias de que os seus direitos serão respeitados em um processo judicial na Espanha.

Ponsatí - acrescentou - "quer agradecer às centenas de milhares de pessoas ordinárias, especialmente na Escócia, que lhe mostraram apoio", desde "estudantes, companheiros e a direção da Universidade de St Andrews", até o Executivo presidido pela ministra principal, a nacionalista Nicola Sturgeon.

"Clara deseja agradecer a Nicola Sturgeon e ao Governo escocês pela solidariedade mostrada. A Escócia foi um verdadeiro aliado da Catalunha em seus momentos mais difíceis, no entanto, é totalmente correto que seja respeitada a independência do sistema judicial escocês e nenhum governo deve interferir neste processo", apontou.

Após cumprir este primeiro trâmite, a ex-conselheira será levada hoje mesmo perante um Tribunal de Edimburgo para uma audiência preliminar de extradição.EFE