Arábia Saudita retoma relações com Qatar em nova mediação de Trump

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Arábia Saudita reabrirá seu espaço aéreo e suas fronteiras terrestres e marítimas com o Qatar a partir da noite desta segunda-feira (4), após mais de três anos de rompimento das relações entre os dois países do Golfo. Esta reabertura é apontada como mais uma das conquistas do governo de Donald Trump no Oriente Médio. Na reta final do governo, a equipe do republicano tem concentrado esforços em buscar acertos na região para aproximar os países árabes de Israel e, assim, isolar ainda mais o Irã. O anúncio foi feito pelo governo do Kuwait, que também ajudou a mediar o acerto. A reabertura faz parte de um acordo mais amplo entre Arábia Saudita e Qatar, que será formalizado nesta terça (5). Líderes dos países do Golfo irão se encontrar em uma reunião de cúpula na Arábia Saudita na terça. O emir Tamim bin Hamad al-Thani, governante do Qatar, estará presente, segundo o governo saudita. A Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Bahrein e o Egito impõem embargos diplomáticos, comerciais e de viagens ao Qatar desde meados de 2017, pois acusam o país de apoiar o terrorismo. Os bloqueios foram vistos como uma tentativa de punir o emirado por sua proximidade com o Irã. O Qatar é um dos países mais ricos do mundo e tem grande importância estratégica, por ser grande produtor de gás natural. O s Estados Unidos mantém cerca de 10 mil militares no emirado, onde possuem uma base aérea. Com 2,7 milhões de habitantes, o país será sede da Copa do Mundo de futebol de 2022. Um alto funcionário do governo Trump, ouvido sob condição de anonimato pela agência Reuters, disse que a Arábia Saudita deve remover mais bloqueios nesta terça, mas que os outros três países ainda estavam em dúvida sobre o que farão. Pelo acordo, o Qatar suspenderia os processos judiciais relacionados aos embargos. Jared Kushner, conselheiro sênior da Casa Branca e genro de Trump, ajudou na negociação do acordo e deve participar do encontro desta terça, segundo a agência Reuters. No segundo semestre de 2020, o governo Trump atuou para mediar e estimular acordos entre países do Oriente Médio e Israel. Os pactos fazem parte do que o republicano chama de Acordo do Século, plano para tentar acabar com décadas de conflito no Oriente Médio, mas visto como pró-Israel, já que desconsidera diversas reivindicações palestinas. A sequência de negociações mediadas pelos EUA foram celebradas por Trump como vitórias da política externa americana. Em agosto, os Emirados Árabes Unidos tornaram-se o terceiro país da região, além de Egito e Jordânia, a concordar em estabelecer relações diplomáticas com Tel Aviv. Menos de um mês depois, em 11 de setembro, foi a vez do Bahrein reconhecer o Estado judaico. Em outubro, a poucos dias da eleição presidencial em que acabou derrotado, Trump anunciou tratado semelhante entre Israel e Sudão. Em dezembro, Israel e Marrocos concordaram em normalizar as relações e a retomar voos entre os dois países. O governo Trump avalia que esta série de acordos pode levar a Arábia Saudita a reconhecer Israel e a estabelecer relações diplomáticas. Boa parte dos países islâmicos se mantém distantes do governo israelense por conta da disputa com a Palestina, onde há maioria de muçulmanos. Tanto a Arábia Saudita quanto Israel são rivais do Irã, considerado uma ameaça pelos EUA por suas tentativas de obter bombas nucleares. Uma aproximação entre os israelenses e os sauditas poderia complicar ainda mais as coisas para os iranianos, que vivem sob sanções dos Estados Unidos e, por conta disso, enfrentam dificuldades na economia. Nesta segunda (4), o Irã anunciou a retomada do aumento de enriquecimento de urânio e apreendeu um petroleiro sul-coreano, aumentando a tensão na região.