Aracruz: dois meses após atentado aluna segue internada e com bala na cabeça

Segundo o pai da vítima, a adolescente tem recebido cuidados para reabilitar a fala e os movimentos.

Após dois meses do atentado a duas escolas em Aracruz, no Norte do Espírito Santo, que matou quatro pessoas e feriu outras doze, uma aluna, de 14 anos, é a única vítima do ataque que segue internada, com uma bala alojada na cabeça. As informações são do portal G1.

A estudante, Thaís Pessotti da Silva, foi baleada na cabeça e, devido à complexidade do ferimento, segue com o projétil alojado no corpo.

Ataque em Aracruz: cadeira com forro e estofado atingidos por um disparo durante o ataque. (Foto: Foto: Reprodução/TV Gazeta)
Ataque em Aracruz: cadeira com forro e estofado atingidos por um disparo durante o ataque. (Foto: Foto: Reprodução/TV Gazeta)

O pai da vítima, Almir Rogério da Silva, disse que a adolescente segue o tratamento no hospital e é um milagre.

"Nossa pequena grande guerreira é um milagre que Deus nos deu a oportunidade de vivenciar. Ela luta pela vida e surpreende a medicina e a todos com sua força e evolução", falou Almir em conversa com o g1.

De acordo com ele, em meados de dezembro, a filha foi transferida do Hospital Infantil de Vitória e segue o tratamento em um hospital particular da Grande Vitória, sem previsão de alta.

"Nossa pequena grande guerreira reage bem ao tratamento. Thais foi atingida com um tiro na cabeça e o projétil ainda está alojado”, explicou o pai de Thaís.

Irmãs, pai, madrasta, mãe e pai se revezam para acompanhar a jovem no hospital.

Segundo Almir, a adolescente tem recebido cuidados para reabilitar a fala e os movimentos, que vêm voltando aos poucos.

"O tratamento tem focado na parte fonoaudiológica e fisioterapêutica, com conquistas diárias altamente comemoradas. Na parte motora, o movimento do lado esquerdo voltou primeiro, ainda em evolução em sua coordenação, o lado direito começou a acordar os movimentos há duas semanas e vem evoluindo diariamente", comemorou.

Almir destacou que a filha realiza as atividades que são propostas com entusiasmo e a cada novo comando realizado, a alegria dela contagia todos à sua volta.

"Thais mantém interação com todos ao seu lado, contagiou toda a equipe com suas caras e bocas. Está desenvolvendo bem em relação a fonoaudiologia, começando a imitar o som proposto mesmo sabendo que há um longo caminho a ser vivido em prol da sua restauração completa”, disse o pai.

No dia 25 de novembro de 2022, no ataque, 13 pessoas foram baleadas, 10 delas professores. Três professoras morreram.

Dos alunos feridos com bala, uma menina morreu e Thais segue internada. A família de um menino que também foi baleado no abdome não deu detalhes sobre o estado de saúde do garoto.

Outras três pessoas ficaram feridas no ataque em decorrência da confusão para fugir do assassino, dentre elas uma aluna que quebrou a perna.

Relembre o caso

O adolescente de 16 anos invadiu a escola estadual Primo Bitti e o colégio particular Centro Educacional Praia de Coqueiral. Ele estudou na primeira escola até junho deste ano, quando deu início a um processo de transferência.

Segundo as investigações, o ataque foi planejado por dois anos. O criminoso usou duas armas do pai, um policial militar.

O jovem matou quatro pessoas e feriu outras 12 com tiros de pistola na manhã do dia 25 de novembro. Ele foi encontrado pelos policiais horas depois e confessou os crimes. Desde então, está internado em uma unidade do Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases) de Cariacica, na Grande Vitória.

No dia 4 de dezembro, o assassino foi sentenciado a cumprir até três anos de internação. O tempo é o limite máximo estabelecido como medida socioeducativa para adolescentes pela lei.