UTIs voltam a lotar pela 1ª vez em três meses e Araraquara pode ter novo lockdown

·3 minuto de leitura
  • Taxa de ocupação de UTIs com contaminados pela Covid-19 preocupa novamente município do interior paulista

  • Gestão municipal estuda novo lockdown, medida que foi adotada na cidade com sucesso em fevereiro

  • Prefeitura tem pedido à população que mantenha o distanciamento social

Após 90 dias com leitos disponíveis, o município de Araraquara, no interior de São Paulo, que fez dez dias de lockdown em fevereiro, voltou a registrar UTIs lotadas nesta terça-feira (8). Dois pacientes estão na fila de espera por uma vaga, intubados em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Pela primeira vez em três meses, a cidade ultrapassou o índice de 20% de testes positivos entre as amostras coletadas na busca ativa feita pela prefeitura. Se isso se repetir nos próximos dois dias, o município deverá decretar novo lockdown.

Araraquara se tornou conhecida em todo o país por ter adotado o fechamento total do comércio e transporte em fevereiro passado, depois de registrar recorde no número de casos e passar seis dias com os leitos de UTI lotados. A medida levou à redução de casos e de mortes, de acordo com a Secretaria de Saúde do município.

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A cidade estabeleceu dois indicadores para decretar lockdown novamente: quando 20% dos testes derem positivo para o coronavírus por três dias seguidos ou cinco intercalados; ou quando 30% das pessoas com sintomas gripais tiverem resultado positivo para coronavírus.

Nesta terça-feira, o índice de 20% foi ultrapassado — chegou a 21,15%, com 119 casos positivos entre 563 amostras coletas. O percentual também esbarrou no segundo índice: 28,32% dos testes em pessoas sintomáticas deram positivo para Covid-19. São 861 pessoas em quarentena no município e outras 1.038 aguardando resultados de exames. O total de internados com Covid chegou a 197.

Há uma semana, a prefeitura tem feito alerta à população para que mantenha o distanciamento social e evite que o comércio volte a ser fechado e a circulação de pessoas interrompida.

Distanciamento cai e festas sobem

Foto: Rahel Patrasso/Xinhua via Getty Images
Foto: Rahel Patrasso/Xinhua via Getty Images

Para a secretária de Saúde de Araraquara, Eliana Honain, os casos de Covid voltaram a crescer na cidade porque as pessoas não mantêm o distanciamento social e estão fazendo mais festas em família.

— As pessoas estão fazendo encontros e festas familiares. A confraternização em família tem sido o maior foco de transmissão. Em média, 20% dos testes que dão positivo por dia são entre comunicantes familiares — diz Eliana, citando dados da busca ativa por infectados pelo coronavírus que Araraquara faz desde fevereiro passado.

Eliana explica que, nessas festas em família, as pessoas não usam máscara, comem, bebem e não respeitam o distanciamento. Em média, cerca de 40 positivados por dia contraíram o vírus em família ou confraternização com amigos, como churrascos. Mesmo que o encontro seja com poucas pessoas, basta uma delas estar contaminada e assintomática para que o vírus se espalhe.

— O lockdown se mostrou extremamente efetivo. Caiu o número de casos e a transmissão. É um remédio extremamente amargo, principalmente para os pequenos e médios empresários e trabalhadores informais. Mas dependemos da colaboração da população para evitá-lo — diz a secretária.

Segundo Eliana, os casos de Covid voltaram a aumentar depois do Dia das Mães. Ela lembra que a transmissão do vírus aumenta de forma exponencial e nem mesmo a busca ativa que vem sendo feita no município é suficiente para substituir as medidas preventivas mais importantes, como uso de máscara e distanciamento.

Por dia, Araraquara tem testado cerca de 1.300 pessoas, muitas delas nas barreiras feitas nas entradas da cidade. Todos os que testam positivos são mantidos em quarentena.

A cidade aplicou 105 mil doses de vacina até esta terça-feira, e 16% da população já recebeu a segunda dose — percentual acima da média nacional.

Eliana afirma que o cenário é preocupante, principalmente porque nesta semana é comemorado o Dia dos Namorados, que aumenta a frequência no comércio e os encontros. Com 97 leitos de UTI, Araraquara não deve investir mais para aumentar a capacidade de atendimento.

— O problema não é abrir leitos. Não há mais recursos humanos disponíveis para contratação. É preciso que a população se conscientize. Metade das pessoas que são internadas em UTI morrem, e o nosso objetivo não é internar, é evitar a transmissão — diz ela.

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