Aras abre apuração preliminar para analisar relatório da CPI que pede punição de Bolsonaro

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BRASÍLIA, DF, 28.10.2021 – CPI-COVID-DF - Os senadores Omar Aziz(C) (PSD-AM), Randolfe Rodrigues (D)(REDE-AP) e Humberto Costa (E)(PT-PE) deixam a sede do STF após uma reunião com o presidente do Supremo Tribunal, ministro Luiz Fux. Eles vieram entregar ao ministro Fux uma cópia do relatório da CPI da Covid. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
BRASÍLIA, DF, 28.10.2021 – CPI-COVID-DF - Os senadores Omar Aziz(C) (PSD-AM), Randolfe Rodrigues (D)(REDE-AP) e Humberto Costa (E)(PT-PE) deixam a sede do STF após uma reunião com o presidente do Supremo Tribunal, ministro Luiz Fux. Eles vieram entregar ao ministro Fux uma cópia do relatório da CPI da Covid. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O procurador-geral da República, Augusto Aras, determinou a instauração de um procedimento preliminar de investigação para viabilizar o recebimento do material reunido pela CPI da Covid no Senado.

A chamada notícia de fato foi determinada na noite desta quinta-feira (28). A iniciativa de Aras foi a forma encontrada para garantir o ingresso de documentos, boa parte deles sigilosa, no sistema da PGR (Procuradoria-Geral da República).

Para embasar o ato, o procurador-geral afirmou que um ofício enviado pela CPI informou a existência, no relatório final, de 13 autoridades com foro privilegiado no STF (Supremo Tribunal Federal) ou no STJ (Superior Tribunal de Justiça). Entre elas está o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O relatório da CPI, aprovado pelos senadores, imputa nove crimes ao presidente.

O despacho de Aras é o primeiro que se tem conhecimento, do ponto de vista formal, para viabilizar a análise do material da CPI.

Além da instauração da notícia de fato, o procurador-geral determinou nove providências administrativas para garantir o recebimento dos documentos que compõem a investigação parlamentar.

Na quarta-feira (27), senadores foram à PGR para uma entrega simbólica do relatório final.

Aras pediu que se certifique a entrada de todo o material no protocolo da PGR. Ele designou a chefia de gabinete do órgão para o "recebimento de toda a documentação sigilosa".

O procurador-geral também determinou uma verificação sobre procedimentos já existentes na PGR, no STF e no STJ --referentes às 13 autoridades com foro-- e quem tenham relação com a investigação da CPI da Covid.

O mesmo deve ser feito sobre procedimentos nas Procuradorias da República nos estados, para envio do material. A tarefa caberá a câmaras setoriais que funcionam no âmbito da PGR.

O relatório da CPI pede indiciamento de quatro ministros de Bolsonaro. Eles também têm foro privilegiado no STF, em razão do cargo que ocupam: Marcelo Queiroga (Saúde), Onyx Lorenzoni (Trabalho e Previdência), Walter Braga Netto (Defesa) e Wagner Rosário (CGU).

A lista inclui ainda dois filhos do presidente: senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) e deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Ao todo, a CPI pediu indiciamento de 78 pessoas e duas empresas.

O gabinete de Aras considera temerárias conclusões da CPI e vê muito "barulho" no curso da investigação parlamentar, mas também enxerga uma abundância de provas carreadas ao longo dos seis meses de apuração, em especial quebras de sigilo bancário, fiscal, telemático e telefônico.

Esta é a visão de auxiliares que atuam diretamente com Aras na PGR e que devem ter participação na análise e no destino do relatório final da CPI, como o jornal Folha de S.Paulo mostrou nesta quinta (28).

A senadores da CPI, que fizeram a entrega do documento, o procurador-geral fez uma declaração em que reconheceu a existência de novidades na investigação parlamentar. Ele prometeu atuar com a "agilidade necessária" para avançar nas apurações sobre crimes atribuídos a autoridades com foro privilegiado.

"A PGR dará a qualificação jurídica que por ventura possamos encontrar e que seja civil, penalmente e administrativamente puníveis", disse Aras ao lado dos senadores e com o relatório de 1.200 páginas nas mãos.

Os parlamentares temem uma inação ou arquivamentos automáticos por parte do procurador-geral, em razão de seu histórico de blindagem ao presidente e ao governo.

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