Aras corrobora discurso de Bolsonaro e quer fiscalizar governos estaduais sobre aplicação das vacinas

Aguirre Talento
·2 minuto de leitura

BRASÍLIA - Corroborando o discurso do governo federal, o procurador-geral da República Augusto Aras enviou ofícios para os governadores perguntando sobre a diferença entre a quantidade de doses de vacinas enviadas pelo Ministério da Saúde e as vacinas já aplicadas.

Apesar das falhas do governo federal na aquisição das vacinas e da recusa, no ano passado, em uma proposta de venda de vacinas feita pela Pfizer, o procurador-geral da República decidiu fiscalizar as divergências entre as doses enviadas pelo governo federal aos Estados e a quantidade efetivamente aplicada. Essa diferença, entretanto, deve-se em grande parte à própria orientação do Ministério da Saúde, que determinou aos governos estaduais que guardassem as vacinas para aplicação da segunda dose, já que o ministério não poderia garantir o suprimento contínuo das vacinas.

No ofício, Aras escreveu: "Conforme dados atualizados do décimo informe técnico da Secretaria de Vigilância em Saúde/MS, que divulgou a 12ª pauta de distribuição de vacinas, foi viabilizada a entrega de 9,3 milhões da vacina AstraZeneca/Fiocruz e cerca de 38,2 milhões da vacina Sinovac/Butantan. De acordo com os dados disponíveis na plataforma Localizasus, do Ministério da Saúde, o vacinômetro mostra que, do total de 48.088.916 de doses distribuídas até a presente data aos Estados da Federação, apenas 32.160.509 de doses foram efetivamente aplicadas".

A ação do PGR vai no mesmo sentido do discurso do presidente Jair Bolsonaro. Diante das cobranças por suas falhas na compra de vacinas, Bolsonaro tem acusado os governos estaduais de demorarem na aplicação de doses. Nesta semana, entretanto, diversas capitais paralisaram a vacinação justamente por não terem mais vacinas, já que houve atraso nas produções da AstraZeneca e da Coronavac.

Aras é aliado de Bolsonaro e tem se movimentado para ser indicado à vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) a ser aberta com a aposentadoria de Marco Aurélio Mello, em julho.