Aras rejeita pedido de Moro para investigar suspeitas envolvendo Abin em inquérito sobre interferência na PF

Aguirre Talento
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BRASÍLIA - O procurador-geral da República, Augusto Aras, rejeitou pedido do ex-ministro Sergio Moro para investigar as interferências do presidente Jair Bolsonaro na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em conjunto com as suspeitas de interferência na Polícia Federal. Aras argumentou que os fatos envolvendo a Abin são diferentes e já são apurados em uma investigação preliminar aberta na Procuradoria-Geral da República (PGR).

Moro havia solicitado, em petição enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), que fosse incluído no inquérito sobre a PF os fatos envolvendo a Abin, que apontam suspeitas de que o órgão confeccionou relatórios para orientar a defesa jurídica do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) no caso da rachadinha. O ex-ministro também havia pedido um novo depoimento do diretor da Abin Alexandre Ramagem para falar sobre esse assunto. O caso foi revelado pela revista ÉPOCA.

Aras enviou manifestação ao STF nesta sexta-feira em resposta ao pedido de Moro. Apontou que o caso da Abin já é objeto de uma "notícia de fato", investigação preliminar em andamento na PGR. O procurador-geral da República informou que, caso encontre irregularidades nos fatos envolvendo a Abin, solicitará a abertura de um novo inquérito, porque esses fatos são posteriores ao relato de suposta interferência na PF. Aras, portanto, rejeitou o pedido para tomar novo depoimento de Ramagem.

A investigação preliminar sobre Flávio Bolsonaro, entretanto, apenas solicitou documentos ao jornalista Guilherme Amado, da revista ÉPOCA, que revelou o caso. A PGR não pediu esclarecimentos à defesa do senador nem ao próprio Flávio.

Agora, caberá ao ministro do STF Alexandre de Moraes, novo relator do inquérito, decidir sobre o pedido de Sergio Moro. Apesar da posição de Aras, Moraes pode determinar que a PF também apure esses fatos.

Investigação parada

Aberto no meio do ano passado, após o pedido de demissão do então ministro da Justiça Sergio Moro, o inquérito se encontra paralisado desde o fim do ano porque o STF ainda discute se Bolsonaro teria obrigação de prestar depoimento pessoalmente ou se pode depor por escrito.

A defesa de Bolsonaro chegou a pedir dispensa do depoimento, solicitando que a PF concluísse logo a apuração. O ministro do STF Alexandre de Moraes, entretanto, decidiu que Bolsonaro não pode ser dispensado do depoimento, mas vai levar para discussão no plenário a definição sobre o formato.