'Arcanjo renegado' estreia na Globo; confira outras cinco séries policiais para assistir no streaming

O Globo
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Estreia nesta quinta-feira (4) na Globo a série "Arcanjo renegado", um thriller policial criado pelo fundador do AfroReggae, Jóse Júnior, e com direção de Heitor Dhalia ("O cheiro do ralo", "À deriva"). A trama gira em torno de Mikhael (Marcello Melo Jr.), líder da equipe Arcanjo e primeiro-sargento do Bope (Batalhão de Operações Especiais) no Rio de Janeiro.

Lançada ano passado no Globoplay, em dez episódios Mikhael se vê em situações desafiadoras que também colocam à prova seus princípios. Com faro apurado para delitos, ele se envolve numa guerra de poderes. Depois de incomodar o crime organizado, torna-se alvo também de políticos do alto escalão, que querem vê-lo longe de circulação.

Além de comandar as missões especiais do Bope, o protagonista tem outra incumbência: lidar com a atuação do jornalista Ronaldo Leitão (Álamo Facó).

Durante toda essa jornada, Mikhael conta ainda com a atenção irmã Sarah (Erika Januza), uma das poucas pessoas que o conhecem na intimidade. Órfão de pais, ele não abre espaço em sua vida para relacionamentos pessoais.

Confira uma entrevista com Marcello Melo Jr. e José Júnior. Ator e criador da série falam sobre suas vivências diante da realidade em comunidades marcadas pela violência e a tensa relação entre polícia e moradores.

'Ações são justificadas para jogar sujeira para debaixo do tapete', diz Marcello Melo Jr.

Como sua vivência de quem cresceu no Vidigal contribuiu para a construção do Mikhael?

Marcello: Em se tratando de um tema que fala sobre o Rio de Janeiro, segurança pública e comunidade, de uma certa maneira eu sempre tive esse contato com o lado de “dentro”, da visão da comunidade. Mas, ao mesmo tempo, sempre tive a percepção de que isso não era uma questão apenas com a polícia, mas também da própria comunidade e que sempre envolveu coisas maiores. Isso tudo, essa vivência, contribui para se contar uma história de forma verdadeira. Mesmo que seja uma ficção é a oportunidade de abordar assuntos tão pertinentes para a nossa sociedade.

Onde Mikhael e Marcello se encontram? E onde eles mais se distanciam?

Marcello: São pessoas bem diferentes no jeito de ser, no humor. Ele é um personagem bastante introspectivo, um cara que teve uma educação mais rígida, diferente de mim. Nos encontramos na questão de termos princípios muito parecidos. Além disso, o Mikhael é um profissional extremamente dedicado ao trabalho dele e que tem esse amor pelo ofício assim como eu, só que pelas artes.

Você acha que séries policiais brasileiras são mais desafiadoras de serem construídas em razão da complexa política de segurança pública no país, em que comunidades carentes são palco da dita "guerra às drogas"?

Marcello: Acredito que sim. A gente tem uma oportunidade no cinema, principalmente, de tocar no assunto e de retratar a verdadeira realidade de grande parte dos brasileiros. Parece mentira o que acontece no lado de fora, na vida real, e o que é retratado no cinema fica parecendo verdade. Na guerra às drogas, no combate ao tráfico, há também a guerra contra toda uma comunidade. Fora da ficção, ações são justificadas para colocar a sujeira embaixo do tapete e os nossos governantes acabam contribuindo a cada dia para que isso não se resolva. Infelizmente isso é uma questão não só no nosso Estado, como em todo nosso país.

Qual você acha que é a principal virtude da série? O realismo? A humanização do protagonista?

Marcello: Eu acho que a grande virtude é retratar um assunto tão real, presente e diário. Você abre o jornal, liga a TV, pega o celular e sempre tem alguma coisa relacionada a política, segurança pública e a cidadania, que são temáticas muito presentes em “Arcanjo Renegado”.

'É possível juntas opositores em prol de algo maior', diz José Júnior

Quais as principais dificuldades de adaptar tantas camadas da realidade carioca e transformá-las em entretenimento?

José Júnior: Eu não senti tanta dificuldade porque eu lido com essas realidades sociais há muitos anos, seja na minha vida pessoal ou no trabalho que eu faço com o AfroReggae há 28 anos como fundador da ONG. É mais uma questão de estruturar os pensamentos, de organizar aquilo com que você convive ou já conviveu e tentar transformar essas vivências em dramaturgia.

Para além do diálogo com a realidade, quais as mensagens transmitidas por Arcanjo Renegado?

José Júnior: A série passa várias mensagens. Não há uma específica. Acho que uma das marcas é mostrar que se é possível ter a junção de pessoas muito diferentes em prol de algo muito maior. Como é possível ver na relação entre o Ronaldo (Álamo Facó), o jornalista, e o Mikhael (Marcello Melo Jr). Eles são declaradamente opositores e chegam num momento a serem inimigos. Então acho que a série mostra as transformações nas pessoas e o ser humano em evolução. Há especialmente entre esses dois personagens embates no âmbito racial e social que buscam criar várias reflexões. São vários choques de realidade que levam à reflexão também do espectador.

Você também assina "A Divisão", uma série policial com outras nuances, mas também de sucesso. Você acha que esse nicho da série policial ainda tem muito a ser explorado no Brasil?

Jose Júnior: “A Divisão” é uma série também baseada em fatos reais. No caso de “Arcanjo Renegado” tem muito conceito real, enquanto “A Divisão” é baseada em fatos reais. Há uma diferença neste sentido. A questão da polícia, do tráfico, do preconceito numa via de mão dupla, do papel do jornalismo, corrupção política e empresarial são abordados em "Arcanjo". Já “A Divisão” traz a história de um grupo de policiais que de fato contribuiu para acabar com a onda dos sequestros nos anos 1990, que era uma verdadeira epidemia no Rio de Janeiro. O ponto em comum entre as duas é que ambas mostram a realidade social. Esse nicho de série policial é interessante não só para o Brasil como em todo o mundo. As grandes séries internacionais que fazem sucesso são séries policiais. Acho que o público gosta desta temática e aprecia também assistir a cenas de ação.

Cinco séries policiais para assistir no streaming

'A divisão' (Globoplay, 2019)

O Rio de Janeiro está acuado por uma onda de sequestros nos anos 90. As forças de segurança chamam agentes de fama controversa para salvar a cidade de bandidos e até da polícia. Cinco episódios. Direção de Vicente Amorim e Rodrigo Monte. Com Erom Cordeiro, Silvio Guindane, Natália Lage, Thelmo Fernandes, Marcos Palmeira, Dalton Vigh.

'Bom dia, Verônica' (Netflix, 2020)

Depois de presenciar um suicídio, a policial Verônica investiga a identidade e o motivo da vítima. Em outro fio da história, uma esposa aterrorizada esconde um segredo sinistro. Oito episódios. Direção de José Henrique Fonseca, Izabel Jaguaribe e Rog de Souza. Com Tainá Müller, Eduardo Moscovis e Camila Morgado.

'Impuros' (Prime Video, 2018-)

No Rio de Janeiro dos anos 1990, em um território conflagrado por problemas sociais e onde a oportunidade do crime é muito tentadora, Evandro enfrenta as complexidades do mundo do tráfico e a relação complicada com a própria mãe. Duas temporadas. Direção de René Sampaio e Tomas Portella. Com Raphael Logam, Fernanda Machado, Leandro Firmino, Lorena Comparato e Rui Ricardo Dias.

'Rotas do ódio' (Globoplay, 2018-)

A delegada Carolina Ramalho lidera o departamento de crimes raciais e de intolerância em São Paulo. Enquanto tenta salvar sua unidade, ela luta contra uma violenta facção. Três temporadas. Direção de Susanna Lira. Com Mayana Neiva, André Bankoff, Antonio Saboia.

'Dupla identidade' (Globoplay, 2014)

Quatro jovens assassinadas em três meses. A série narra a perseguição policial a Edu, um serial Killer sem compaixão, consciência ou remorso dos seus atos mais cruéis. São 13 episódios. Direção de René Sampaio e Mauro Mendonça Filho. Com Bruno Gagliasso, Luana Piovani e Débora Falabella.