Área explorada por mineração no Brasil cresceu 564% em 35 anos

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An aerial view show a wildcat gold mine, also known as a garimpo, at a deforested area of the Amazon rainforest near Crepurizao, in the municipality of Itaituba, Para State, Brazil, August 6, 2017. Picture taken with a drone. Picture taken August 6, 2017. REUTERS/Nacho Doce
Garimpo no Pará em área desmatada da Amazônia. Foto: REUTERS/Nacho Doce
  • Dados foram elencados com base em imagens de satélite

  • Garimpo ilegal ocupa área ainda maior

  • Preocupação principal é com áreas de preservação e terras indígenas

A extensão do território brasileiro alvo de mineração subiu de 31 mil hectares em 1985 para 206 mil hectares em 2020. Isso representa um aumento de mais de 564% em 35 anos, de acordo com o levantamento feito pela organização MapBiomas, que utilizou imagens de satélite e inteligência artificial para fazer a medição. Os resultados foram divulgados nesta segunda-feira (30).

Três de cada quatro hectares minerados (mineração Industrial e garimpo) no país estavam na Amazônia em 2020, ou 72,5 % de toda a área minerada. A Amazônia também concentra 93,7% de todo o garimpo realizado no Brasil. Em relação à mineração industrial, o bioma retém 49,2% da área ocupada pela atividade.

A mineração industrial por si já acende um alerta. Segundo o MapBiomas, a área ocupada pela atividade cresceu de forma constante, cerca de 2,2 mil hectares por ano e sem grandes variações entre 1985 e 2020.

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Já os estados com maiores áreas mineradas são Pará, com 110.209 hectares, Minas Gerais, com 33.432 hectares, e Mato Grosso, com 25.495 hectares.

Exploração do garimpo

Além desse dado preocupante, o MapBiomas também revelou que a área explorada pelo garimpo é maior que a ocupada por mineração. O garimpo é a extração de minérios de forma predatória e ilegal, geralmente relacionada ao ouro, e não à indústria. Já a mineração, que tem como foco maior a extração de ferro alumínio, pode ser legal ou ilegal.

O garimpo deu um salto na década passada. Entre 1985 e 2009 o ritmo de crescimento estava em torno de 1,5 mil hectares por ano, considerado baixo. Já a partir de 2010 a taxa de expansão quadruplicou para 6,5 mil hectares por ano.

Dessa forma, em 2020, as imagens de satélite mostram que a área ocupada pelo garimpo é de 107,8 mil hectares, o que a torna maior que a da mineração, que ocupa 98,3 mil hectares no território nacional.

Outro alerta levantado pelo MapBiomas é que a área de terras indígenas ocupada pelo garimpo cresceu 495% entre 2010 e 2020. Já em unidades de conservação, a área ocupada pelo garimpo cresceu 301% no mesmo período.

O avanço da atividade ilegal se dá principalmente nessas áreas protegidas e de conservação ambiental. Em 2020, metade da área nacional do garimpo estava em unidades de conservação (40,7%) ou terras indígenas (9,3%).

De acordo com o MapBiomas, as terras indígenas Kayapó (7.602 ha) e Munduruku (1.592 ha), no Pará, e Yanomami (414 ha), no Amazonas e Roraima, são os três territórios indígenas mais afetados pelo garimpo.

Já o Pará abriga 8 das dez unidades de conservação com maior atividade garimpeira, sendo as três maiores: a Área de Proteção Ambiental do Tapajós (34.740 ha), a Flona do Amaná (4.150 ha) e o Parna do Rio Novo (1.752 ha).

"Os produtos da Mineração são fundamentais para o desenvolvimento de uma economia de baixo carbono. Esperamos que estes dados contribuam para a definição de estratégias para acabar com as atividades ilegais e estabelecer uma mineração em bases sustentáveis respeitando as áreas protegidas e o direito dos povos indígenas e atendendo os mais elevados padrões de cuidado com a biodiversidade, solo e a água" afirma Tasso Azevedo, Coordenador Geral do MapBiomas.

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