Argélia acusa Marrocos de espionagem e apoio ao terrorismo e corta relações diplomáticas

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em mais um capítulo da tensão que envolve duas das maiores potências do norte da África, o governo da Argélia anunciou o corte de relações diplomáticas com o Marrocos, argumentando que o país age de forma hostil e acusando o vizinho de patrocinar o terrorismo e praticar espionagem.

O anúncio foi feito pelo ministro das Relações Exteriores argelino, Ramtane Lamamra, na terça-feira (24), e tem como pano de fundo dois movimentos separatistas, um em cada país.

Quase metade do território marroquino é ocupada pelo Saara Ocidental, região que busca independência e é alvo de repressão do governo. Foi justamente esse o motivo do rompimento das relações entre a Argélia e o Marrocos em 1976, quando os argelinos reconheceram a República Árabe Sarauí Democrática (RASD), proclamada pelo movimento independentista Frente Polisário. A região no entanto nunca conseguiu a independência de fato e ainda luta pelo pleito: em novembro do ano passado, a Frente Polisário afirmou que estava retomando a luta armada.

Os Estados Unidos apoiam a soberania do governo em Rabat, capital marroquina, sobre todo o território, sobretudo desde dezembro, em troca da melhoria das relações entre Marrocos e Israel, o que a Argélia classificou como "interferência estrangeira".

Já o governo do Marrocos passou a apoiar a independência da Cabília, região berbere no nordeste da Argélia. Em julho deste ano, o embaixador marroquino na ONU (Organização das Nações Unidas) defendeu a independência da região. Foi a gota d'água para a decisão de romper relações, disse nesta terça o ministro Lamamra, que chamou a iniciativa de "perigosa e irresponsável".

A Argélia acusa Marrocos de apoiar o movimento de independência MAK, que os argelinos acusam de serem terroristas e de provocarem incêndios florestais que deixaram 90 mortos na última semana. Marrocos também usa o programa Pegasus para espionar aparelhos de celular de autoridades argelinas, acusou o governo em Argel --os marroquinos negam acesso ao software.

"O reino do Marrocos nunca deixou de ser hostil com a Argélia", disse Lamamra, que afirmou que os consulados nos dois países continuarão abertos. "Os serviços de segurança e propaganda marroquinos estão travando uma guerra vil contra a Argélia, seu povo e seus líderes, espalhando rumores e informações maliciosas e inflamatórias", afirmou.

O ministro das Relações Exteriores do Marrocos respondeu em comunicado publicado em rede social que lamenta o que chamou de decisão injustificável e rejeitou "os pretextos falaciosos e absurdos que a sustentam". A nota diz ainda que o país continuará a ser "um parceiro confiável e leal" para o povo argelino.

No final de julho, o rei Mohamed 6º de Marrocos criticou as tensões com a Argélia e convidou o presidente argelino, Abdelmadjid Tebboune, a "trabalhar em harmonia para o desenvolvimento das relações" entre os dois países.

A fronteira entre os dois países do norte da África está fechada desde 1994, mas as relações diplomáticas haviam sido mantidas desde que foram restauradas em 1988. Há anos o Marrocos diz que quer reabrir a fronteira, mas a Argélia defende mantê-la fechada por razões de segurança.

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