Argélia aumenta pressão sobre a França com restrição ao espaço aéreo

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Caças Rafale no porta-aviões Charles de Gaulle em 23 de janeiro de 2020 (AFP/Philippe López)

A Argélia voltou a expressar neste domingo (3) irritação após o que chamou de "declarações irresponsáveis" atribuídas ao presidente francês Emmanuel Macron.

Argel proibiu os aviões militares franceses de sobrevoar seu território - os caças da França geralmente passam pelo país em direção à região africana do Sahel. No sábado também convocou seu embaixador em Paris.

O clima de tensão entre os dois países acontece com a aproximação do 60º aniversário da guerra da Argélia e de sua independência.

De acordo com uma reportagem do jornal Le Monde, que relatou o encontro na quinta-feira entre Macron e jovens descendentes da guerra da Argélia (1954-1962), o presidente francês teria considerado que, após sua independência em 1962, a Argélia foi construída com base em uma "receita memorial" alimentada pelo "sistema político-militar".

Segundo o Le Monde, Macron evocou "uma história oficial totalmente reescrita que não é baseada em verdades", mas em "um discurso que se baseia no ódio à França".

As declarações não foram desmentidas pelo Palácio do Eliseu, sede da presidência francesa.

Em um comunicado, a presidência argelina expressou no sábado em um comunicado seu "repúdio a qualquer interferência nos assuntos internos" e anunciou a "convocação imediata para consultas" de seu embaixador em Paris.

"Esta manhã, ao apresentar os planos de voos de dois aviões, soubemos que os argelinos fecharam o espaço aéreo de seu território para os aviões militares franceses", afirmou à AFP o coronel Pascal Ianni, confirmando informações do jornal Le Figaro.

Os aviões franceses atravessam com frequência o espaço aéreo argelino para chegar ao Sahel, onde quase 5.000 militares franceses estão mobilizados em uma operação antijihadista.

O Estado-Maior francês não recebeu nenhuma notificação oficial da decisão argelina.

O coronel Ianni disse que "isto perturba um pouco o fluxo de apoio, mas não afeta as operações da França no Sahel". "É, antes de tudo, uma questão diplomática", acrescentou.

As missões francesas de informção e inteligencia no Sahel, com drones Reaper, também não serão afetadas, segundo o militar. Estes drones são operados a partir de Niamey, no Níger, e não sobrevoam a Argélia.

Esta proibição de voos acontece, no entanto, em uma fase logística delicada para o Estado-Maior francês, que iniciou nos últimos dias uma reorganização de seu dispositivo na faixa sahel-saariana, especialmente no norte do Mali, fronteiriço com a Argélia.

As relações entre França e Argélia ficaram tensas durante a semana.

Na quarta-feira, o embaixador da França em Argel, François Gouyette, foi convocado pelo ministério argelino das Relações Exteriores para ser notificado de um "protesto formal" após a decisão de Paris de reduzir à metade os vistos concedidos aos argelinos que desejam viajar à França.

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