Argel inaugura a maior mesquita da África

Amal BELALLOUFI
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A Grande Mesquita de Argel
A Grande Mesquita de Argel

A Grande Mesquita de Argel, a terceira mais vasta do mundo e a maior da África, será inaugurada nesta quarta-feira (28) com uma oração coletiva, um ano e meio após sua conclusão com grande polêmica.

Na véspera da festa de Mawlid (nascimento de Maomé), a grande sala de oração, com capacidade para 120.000 fiéis, será inaugurada pelo presidente Abdelmadjid Tebboune, caso a saúde permita, já que ele está hospitalizado em Argel após casos de contágio de covid-19 em seu entorno.

A mesquita de Argel ("Djamaâ El Djazaïr"), com uma arquitetura geométrica e que ocupa 27,75 hectares, é superada em tamanho apenas pela mesquita Al Haram em Meca e pela mesquita do Profeta em Medina, os dois principais locais sagrados do islã, na Arábia Saudita.

Seu minarete, que se ergue sobre a famosa baía de Argel, é o maior do mundo, com 267 metros, ou 43 andares com elevadores panorâmicos.

O interior está decorado com seis quilômetros de caligrafias, de materiais nobres (madeira, mármore, alabastro) e com tapetes de oração de cor azul turquesa com motivos florais.

Os criadores destacam a "identidade argelina".

- "Contra os radicalismos" -

Durante uma visita recente, Tebboune pediu ao ministro das Relações Religiosas a criação de uma "instituição científica de alto nível para supervisionar" o local.

Com a ambição de ser um local importante teológico, cultural e científico, a mesquita tem 12 edifícios independentes, incluindo uma biblioteca que abrigará um milhão de livros.

Cinco imãs e cinco muezins oficiarão as cerimônias, explicou à AFP o professor Kamel Shekkat, membro da Associação dos Ulemás Muçulmanos da Argélia. Ele disse que o templo terá como missão "regular e harmonizar as fatwas (pronunciamentos jurídicos) com a vida na Argélia".

"A ideia é que a grande mesquita represente um lugar que combate todos radicalismos, religiosos e laicos. Os extremistas são os mesmos em todas as partes", afirmou.

Um grupo de estudos e de pesquisadores multidisciplinares, composto por cientistas, trabalhará no texto do Corão e sua "adequação aos tempos e sobretudo à ciência", explica.

- Polêmicas -

Megraprojeto emblemático do presidente Abdelaziz Bouteflika, expulso do poder por protestos em abril de 2019, a mesquita provocou uma das maiores polêmicas dos últimos anos na Argélia.

Primeiro por sua construção, concluída no fim de abril de 2019, após mais de sete anos, e pela empresa responsável pelas obras, a gigante China State Construction Engineering (CSCEC), que transportou os operários do país asiático.

Depois por seu custo, oficialmente mais de 880 milhões de dólares, muito acima do previsto, pagos pelos contribuintes argelinos.

Muitos estão ressentidos, pois preferiam investimentos em fábricas e empregos.

Para o sociólogo Belakhdar Mezouar, o monumento é a "obra de um homem (Abdelaziz Bouteflika) que queria competir com o vizinho marroquino, eternizar seu nome e apresentar a conquista em seu currículo, para entrar no paraíso no dia do Juízo Final". A declaração resume a opinião geral.

O tamanho e espaço na paisagem urbana também provocam debate.

Nadir Djermoune, professor de urbanismo, lamenta que seus colegas tenham "abandonado a crítica urbana e ambiental para limitar-se a um debate religioso e identitário".

O templo está "mal localizado porque se encontra isolado das reais necessidades da cidade em termos de infraestrutura", acrescenta, antes de criticar "a escolha ostensiva" de grandes projetos quando a Argélia necessita de novos equipamentos para saúde, ensino, esportes ou lazer.

Ele elogia apenas a concepção modernista do monumento, que "servirá de modelo para futuros projetos arquitetônicos".

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