Argentina: Deputados aprovam pacote econômico, com alta de impostos e revisão tarifária de luz e gás

BUENOS AIRES - Após mais de 15 horas de debate, a Câmara dos Deputados da Argentina aprovou na manhã desta sexta-feira o projeto de lei de "emergência econômica" para enfrentar a grave crise pela qual passa o país. O projeto deve agora ser analisado pelo Senado ainda nesta sexta.

Com 134 votos a favor e 110 contra, o governo peronista do presidente Alberto Fernández conseguiu a aprovação de um projeto que busca manter o equilíbrio fiscal para garantir o pagamento futuro da dívida pública - que está atualmente em negociação - e, posteriormente, expandir o gasto social para impulsionar a economia.

Após um prolongado debate na Câmara dos Deputados, espera-se que o Senado, onde o governo tem maioria, trate do projeto ainda nesta sexta-feira, ante o pedido de urgência do presidente peronista Fernández.

O governo teve de ceder em vários pontos, mas os três pilares fundamentais do pacote econômico foram mantidos: aumento de impostos, que vai assegurar uma arrecadação equivalente a 1,5% do PIB; criação de uma nova fórmula de reajuste para aposentadoria, que será desenhada nos próximos 180 dias; e o congelamento de tarifas de gás e luz, cujo cálculo também será revisado nos próximos seis meses.

"Estamos diante de um estado excepcional na Argentina. Queremos transmitir, a quem faz parte do mercado interno, que esta é uma ferramenta para colocar a economia em marcha e devolver a esperança", disse o deputado governista Sergio Massa, presidente da Câmara, em sua conta no Twitter.

A Argentina enfrenta uma prolongada recessão, uma inflação anual superiora 50% e índices de pobreza que se aproximam dos 40% da população, enquanto se vê pressionada a pagar vencimentos de dívida próximas a US$ 100 bilhões.