Argentina detecta duas variantes brasileiras do coronavírus em pacientes de Covid-19

O Globo
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BUENOS AIRES — O governo da Argentina anunciou nesta segunda-feira que detectou casos de Covid-19 ligados a duas variantes brasileiras, os primeiros ligados às novas linhagens identificadas no Brasil. Segundo o ministro da Saúde argentino, González Garcia, os pacientes contraíram a cepa P1, que se tornou prevalente no Amazonas, e a P2, identificada pela primeira vez no Rio.

O país vizinho soma até o momento quase 2 milhões de casos e 50 mil mortes pela Covid-19. As duas variantes brasileiras têm levantado preocupação pelo potencial infeccioso da mutação E484K, presente em ambas as cepas e concentrada na proteína S, usada pelo vírus para infectar as células humanas.

Embora mutações virais sejam comuns em patógenos de RNA, como o novo coronavírus, há o temor de que as linhagens afetem a resposta imunológica conferida pelas vacinas por alterarem os componentes da proteína S, que serve como base para a maioria dos imunizantes contra a Covid-19.

Além disso, a mutação E484K também estaria ligada às reinfecções identificadas na Região Norte, em especial em Manaus, onde a P1 se tornou prevalente. A cidade viveu um colapso no seu sistema hospitalar em janeiro. A variante chamou atenção do mundo ao ser detectada em japoneses que estiveram no Amazonas e motivou a suspensão da entrada de brasileiros em alguns países, como o Reino Unido, que enfrenta outra linhagem mais infecciosa do Sars-CoV-2: a B.1.1.7.

A variante P2, surgida no Rio de Janeiro, já foi identificada em São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Paraíba, Alagoas e Amazonas. Fora do Brasil, foi detectada no Reino Unido, Canadá, Argentina, Noruega, Irlanda e Cingapura.