Argentina e Uruguai se enfrentam em reunião do Mercosul

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Na primeira reunião presencial de chefes de Estado do Mercosul, em Assunção, no Paraguai, houve uma clara fricção entre os presidentes da Argentina, Alberto Fernández, e o do Uruguai, Luis Lacalle Pou. No centro do conflito está a intenção do uruguaio de fechar um acordo de livre-comércio com a China, independente do bloco.

O argentino afirmou que, "em tempos de guerra, devemos nos unir e não nos iludirmos com soluções individuais, que são de curto alcance". Fernández ainda advertiu que a Guerra da Ucrânia "deve trazer dificuldades e fome, por isso precisamos estar juntos, fortalecer o Mercosul e a Celac".

Em resposta, Lacalle Pou afirmou que "neste tipo de reunião temos de dizer as coisas como são", e que seu país não abriria mão das negociações com a China.

"Nós não iremos interromper esse processo por conta do Mercosul, porque entendemos que não há incompatibilidade", afirmou. "Além disso, quando as negociações estiverem avançadas, vamos convidar os países-membros do Mercosul a somar-se ao acordo. Mas, se não quiserem, não haverá problema, nós não vamos nos deter."

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (PL), ausente da reunião, enviou uma mensagem em vídeo, mas não se referiu ao caso. Afirmou apenas que seu governo apoia a redução da TEC (tarifa externa comum). Ele disse ainda que, diante das dificuldades do momento na região, sua gestão havia ampliado benefícios sociais.

Fernández fez referências à crise econômica que vive a Argentina, num dia em que o mercado esteve agitado com mais um aumento do dólar paralelo, que ultrapassou a fronteira dos 300 pesos e fechou o dia com a cotação de 324 pesos (o oficial está a 136).

O argentino afirmou que a situação se explica "por conta da terrível herança recebida", referindo-se a seu antecessor, Mauricio Macri, que pediu empréstimo ao FMI. Ele também culpou a pandemia e a guerra.

Antes do encontro do Mercosul, houve uma reunião dos países integrantes do Prosul, na qual o Brasil foi representado pelo chanceler Carlos França. Na reunião, abordou-se o tema da segurança transnacional, e Abdo Benítez afirmou que há avanços nesta área, e um exemplo era o fato de terem sido presos os assassinos do promotor Miguel Pesce, executado quando estava em férias em Cartagena, na Colômbia.

O presidente colombiano, Iván Duque, não compareceu, mas foi representado pela vice-presidente e chanceler do país, Marta Lucía Ramírez.

Assinaram o documento final da cúpula os presidentes Alberto Fernández (Argentina), Mario Abdo Benítez (Paraguai) e Luis Lacalle Pou (Uruguai). Também representaram seus países o chanceler da Bolívia, Rogelio Mayta, e o do Brasil, Carlos França, além de autoridades dos estados associados.

No texto, os membros do bloco reforçaram a intenção de se aproximar da Aliança do Pacífico por meio do Plano de Ação de Puerto Vallarta.

Entre as preocupações, os países destacaram os efeitos da Guerra da Ucrânia nos preços e no abastecimento de alimentos, além da pandemia de Covid.

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