Argentina elogia eleição brasileira; no Uruguai, alas manifestam preocupação

SYLVIA COLOMBO

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - O governo argentino se pronunciou nesta segunda-feira (8) sobre os resultados do primeiro turno das eleições brasileiras e evocou um "olhar para o futuro, não para o passado", nas palavras do chanceler Jorge Faurie. Segundo ele, o tema foi tratado na reunião de gabinete no início do dia.

"O governo argentino quer consolidar um diálogo com o Brasil que se traduza em benefícios para a Argentina e para o Brasil. Em nossa visão, a eleição transcorreu de forma legítima e democrática e com os brasileiros preocupados com o futuro, não com o passado."

Indagado se o governo argentino tinha preferência entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT),  Faurie disse que "a Argentina quer que o ganhador seja aquele que permita ao Brasil consolidar sua democracia, institucionalidade e economia".

Acrescentou que não havia existido contato com nenhum dos dois candidatos, apesar de Haddad ter uma relação pessoal de amizade política com o presidente de centro-direita Mauricio Macri, iniciada quando ambos eram prefeitos (de São Paulo e Buenos Aires, respectivamente).

Tradicionalmente, governos estrangeiros não se pronunciam sobre campanhas eleitorais em outros países até que haja um eleito ou eleita.

Muito mais ruído, porém, causou o resultado do pleito brasileiro em outro vizinho, o Uruguai, onde vários integrantes do governo expressaram não ter simpatia por Bolsonaro. A ministra do Turismo, Liliam Kechichiam, publicou nas redes sociais: "Como me dói o Brasil. Isso é o que acontece quando a ética é manchada. Vem o pior, disfarçado de antissistema".

Já o partido Socialista, que integra a aliança governista Frente Ampla, emitiu um comunicado em que expressa uma "profunda preocupação diante da alarmante situação no Brasil". 

"O espaço político, que deveria ser de diálogo e entendimento, deu lugar à entrada de uma figura que é abertamente homofóbica, misógina e racista, impulsionando um programa fascista onde as declarações a favor da tortura e do armamento da população têm sido a tônica de sua campanha", diz o texto, que complementa: "A luta no segundo turno será da luta da democracia contra o fascismo".

Já o setor majoritário da Frente Ampla, comandado pelo ex-presidente Pepe Mujica, que é de esquerda e próximo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, lançou outro comunicado dizendo que Bolsonaro representa "o pior da condição humana e nada bom poderá vir se for confirmada sua vitória."

Em entrevista a uma rádio local, o próprio Mujica disse considerar Bolsonaro "perigoso  para o Brasil".