Argentina estende até 22 de maio prazo para renegociar dívida e evitar calote

O Globo, com agências internacionais

BUENOS AIRES — O governo argentino estendeu as negociações sobre a proposta de restruturação de sua dívida no valor de R$ 65 bilhões até o dia 22 de maio. A medida, publicada no Dário Oficial nesta segunda-feira, é mais uma tentativa de evitar o calote, que seria o nono da História do país vizinho.

“Essa extensão é considerada necessária, no âmbito das negociações de boa fé que a Argentina realiza com seus credores, para restaurar a sustentabilidade da dívida pública sob a lei estrangeira”, diz o texto da decisão.

Em comunicado, o Ministério da Economia informou que o país está “aberto a tratar todos os aportes destinados a ajudar a Argentina a alcançar seus objetivos e, ao mesmo tempo, melhorar as recuperações dos credores”. O governo não descarta que um acordo seja alcançado “de forma antecipada”, porém, também avalia que o prazo possa ser “prorrogado novamente”.

O prazo anterior venceu na última sexta-feira. 22 de maio é o último dia do período de carência para o pagamento de juros no valor de US$ 500 milhões, vencidos em abril. O pagamento, ou não, irá determinar se o país entrará em nova moratória.

O governo do presidente, Alberto Fernández, tenta negociar dívidas insustentáveis herdadas de seu antecessor, Mauricio Macri, desde que assumiu o cargo, em dezembro do ano passado. Na época, o país já enfrentava uma crise econômica, que foi agravada com a pandemia do novo coronavírus.

A Argentina propôs aos credores a troca dos títulos atuais por outros, mas solicita três anos de carência, desconto de 62% sobre os juros — algo em torno de US$ 37,9 bilhões — e de 5,4% sobre o principal da dívida —US$ 3,6 bilhões. A taxa de juros oferecida é de 1,5%, aumentando para o máximo de 5%.

A extensão do prazo é uma tentativa do governo de aumentar a adesão ao plano, contudo, não divulgou com quantos credores já fechou acordo.

“Claramente, os dois lados estão jogando duro”, afirmou a Capital Economics, em comunicado a investidores nesta segunda-feira. “O governo enfrenta demandas crescentes enquanto a crise de saúde continua. Dessa forma, taxas de recuperação para credores internacionais de cerca de 30% se parecem cada vez mais prováveis”.

Aberto a discussões

Até o momento, três comitês de credores internacionais já anunciaram rejeição à oferta da Casa Rosada, mesmo com indicações do Fundo Monetário Internacional de que a “dívida da Argentina é insustentável”. Ou seja, talvez seja melhor negociar do que não receber.

“Enquanto muitos dos nossos credores apoiaram o convite da Argentina, outros grupos significativos de credores, não o fizeram”, afirmou o Ministério, acrescentando que o governo está aberto para discussões. “Entre aqueles que rejeitaram a oferta da Argentina, alguns indicaram que existem alternativas melhores que podem ser conciliadas com os objetivos que o governo traçou para si e para o povo da Argentina”.

O mercado recebeu bem a extensão do prazo. Com a notícia, a Bolsa de Comércio de Buenos Aires disparou 6,63%. O risco país da Argentina, medido pelo banco JPMorgan Chase, caía 242 pontos, às 17h, pelo horário local.