Argentina, primeiro país da América Latina que produzirá vacina russa Sputnik V

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Funcionário da saúde com dose da vacina Sputnik V contra a covid-19, em Buenos Aires, em fevereiro de 2021

A Argentina será o primeiro país da América Latina a produzir a vacina Sputnik V contra a covid-19, anunciou nesta terça-feira (20), em Moscou, o fundo soberano de investimentos da Federação Russa, após um acordo com o laboratório argentino Richmond.

O Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF) e seus parceiros "facilitaram a transferência de tecnologia para os Laboratórios Richmond" na Argentina, informou um comunicado, especificando que "a produção em larga escala começará em junho".

"Hoje temos o prazer de anunciar que a Argentina se tornou o primeiro país da região a lançar a produção do Sputnik V graças à aliança entre RDIF e Laboratórios Richmond", anunciou Kirill Dmitriev, diretor executivo da RDIF.

Conforme detalhado, a Sputnik V está aprovada em mais de 10 países da América Latina e América Central, "e a produção na Argentina ajudará a facilitar as entregas para outros parceiros da região".

A farmacêutica privada do país sul-americano já produziu um primeiro lote de 21 mil doses que levou para controle de qualidade ao Centro Gamaleya, instituto russo de pesquisas em epidemiologia e microbiologia que produziu a vacina.

Marcelo Figueiras, presidente dos Laboratórios Richmond, comemorou "o reconhecimento" pela escolha da empresa, com base em sua "plataforma científica e técnica".

O laboratório argentino começará em junho com a produção de um milhão de doses por mês durante um ano até que seja concluída a construção de uma nova fábrica, onde se propõe chegar a 5 milhões de doses mensais.

O presidente Alberto Fernández considerou que o acordo representa "uma grande oportunidade para avançar no combate à pandemia não só na Argentina, mas também na América Latina".

O laboratório contou com o apoio técnico e financeiro do Ministério de Desenvolvimento Produtivo da Argentina, que lhe concedeu um empréstimo de quase 30 milhões de pesos (cerca de US$ 300 mil) e prestará assistência financeira por mais 13 milhões de pesos, informou uma fonte da pasta.

Em 23 de dezembro de 2020, a Argentina foi o primeiro país da América Latina a registrar e aprovar a Sputnik V, um dia antes de receber a primeira remessa com 300 mil doses, algo que permitiu iniciar o processo de vacinação no país no dia 29 de dezembro.

Atualmente, o imunizante russo já foi registrado em 60 países. Sua eficácia é de 97,6%, de acordo com a taxa de infecção por coronavírus entre os vacinados na Rússia com as duas doses de componentes diferentes, entre 5 de dezembro de 2020 e 31 de março de 2021, informou o comunicado.

A Argentina recebeu quase oito milhões de doses até o momento, das quais quase 4,8 milhões são da vacina de origem russa.

Possui ainda vacinas chinesa Sinopharm e da anglo-sueca AstraZeneca.

Cerca de 5,6 milhões de argentinos já foram vacinados. Entre eles, mais de 800.000 receberam as duas doses, diante de um momento em que a Argentina enfrenta um crescimento exponencial de casos.

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