Argentina recua e admite negociar acordos com outros mercados junto com o Mercosul

Eliane Oliveira

BRASÍLIA - Menos de uma semana depois de anunciar que não participaria mais de negociações para acordos comerciais com os demais sócios do Mercosul, a Argentina deixou a questão em aberto e admitiu avançar na agenda externa do bloco, desde que em ritmos diferentes. Isso significa que, ao contrário do que foi dito na última sexta-feira, os argentinos demonstraram estar dispostos a se juntar aos demais sócios nas discussões em curso com Coreia do Sul, Cingapura, Canadá e Líbano.

Na última sexta-feira, o governo do presidente Alberto Fernández avisou que a Argentina estaria fora das negociações em andamento e também das futuras - o que incluiria, por exemplo, um tratado comercial do tipo quatro mais um entre Mercosul e Estados Unidos. As únicas exceções seriam os acordos de livre comércio fechados no ano passado com a União Europeia (UE) e o Efta ( (bloco europeu formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein).

"As relações externas do Mercosul incluem os acordos com a UE e a EFTA, que estão em fase final, bem como negociações em andamento com a Coreia do Sul, Canadá, Cingapura e Líbano", diz o trecho de um comunicado divulgado pela chancelaria argentina.

Para fontes do governo brasileiro, falta clareza nesse novo posicionamento da Argentina. Não há detalhes, ou sinalização, de como seriam esses ritmos diferentes. O que se sabe é que o governo daquele país vem enfrentando resistência do setor privado, tendo em vista que a essência desses acordos é a redução das tarifas de importação.