Argentina renasce, sai de quase eliminada para ser favorita à semifinal devido ao chaveamento

A comemoração efusiva da Argentina após classificar como líder do Grupo C da Copa do Mundo faz um torcedor mais desatento esquecer do drama que esta seleção viveu na fase de grupos. Derrota na estreia, drama na segunda rodada, e mesmo assim conseguiu a vaga após superar a Polônia, nesta quarta-feira, no Estádio 974. Curiosamente, de virtuais eliminados, agora os hermanos são favoritos para estarem na semifinal da competição.

Há vários motivos para isso que vão além da presença de Lionel Messi e o fato de ser uma bicampeã mundial. Na verdade, o principal deles é o chaveamento. Líder, a Argentina enfrentará a Austrália nas oitavas de final, em partida marcada para o próximo dia 3, às 16h (de Brasília), no Estádio Ahmad Bin Ali. Trata-se do encontro da 3ª colocada do ranking da Fifa contra a 38ª.

Caso avance, é provável que o adversário seja a Holanda, que enfrentará os Estados Unidos. A Argentina também aparece como favorita neste caso porque, apesar dos percalços nesta Copa do Mundo, os holandeses também estão passando longe de convencer dentro de campo. Apesar de liderada por Cody Gakpo, terá que suar mais se quiser avançar de fase.

Outro motivo que torna a Argentina favorita neste mata-mata é ter ganho casca devido às situações dramáticas que enfrentou. Entre as três seleções que estão com os hermanos neste quadrante, a Holanda é a mais qualificada. Mas ainda não passou por um momento de desespero neste Mundial. No máximo um empate com o Equador na segunda rodada. Classificou na marcha lenta, garantindo resultados contra um fraco Catar e um Senegal em péssimo dia.

A Argentina, por outro lado, já viveu dramas aos montes. Viu a hype que envolvia a seleção ser destruída pela derrota na estreia para a Arábia Saudita, viu Lionel Messi levantar dúvidas sobre sua condição física, entrou em campo diante do México podendo ser eliminada e também viveu esta situação contra a Polônia. Esta seleção já enfrentou três "finais" e conseguiu reagir em todas. Faltam mais quatro para o tricampeonato.

Por fim, Lionel Scaloni descobriu ter mais armas além de Lionel Messi, que faz uma belíssima Copa do Mundo até aqui. Se Di María e Lautaro Martínez não estão acompanhando o camisa 10, o jovem Enzo Fernández se tornou uma excelente notícia. O gol contra o México e as boas atuações diante da Arábia Saudita e da Polônia foram decisivas para que ele assumisse a titularidade.

O atacante Julián Álvarez é outro que tem contribuído bem quando entra e não deve perder a posição. Diante da Polônia, foi titular e balançou as redes.

Do outro lado, a Austrália faz uma Copa do Mundo já acima das expectativas para a própria seleção. Muito por conta do péssimo desempenho da Dinamarca neste Mundial do que necessariamente pelo bom futebol apresentado. Venceu os próprios dinamarqueses e a Tunísia, mas foi goleada pela França quando enfrentou uma das candidatas ao título.

Leckie, que fez o gol diante da Dinamarca, talvez seja o jogador australiano que esteja apresentando melhor desempenho nesta Copa do Mundo. Isso, claro, além das perigosas bolas aéreas e contra-ataques montados pela seleção do técnico Graham Arnold. Mas em condições normais de temperatura e pressão, o favoritismo segue do lado argentino.

Favoritismo, aliás, que deve se manter nas oitavas e nas quartas de final.