Argentina ultrapassa os 100% de inflação e está numa tendência contrária dos países da região

REUTERS - AGUSTIN MARCARIAN

Um ano depois de o presidente argentino anunciar uma guerra contra a inflação e na contramão da tendência entre os países vizinhos, a Argentina acumula 102,5% de inflação nos últimos 12 meses, o primeiro índice com três dígitos desde 1991, ano em que o país saía de uma hiperinflação. Um único mês de inflação na Argentina supera um mês de inflação da maioria dos países da região juntos. Cada vez mais economistas preveem uma inflação acima de 110% em 2023.

Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

Há um ano, o presidente argentino, Alberto Fernández, anunciou que começava “uma guerra contra a inflação”. Há sete meses, o ministro da Economia, Sergio Massa, previu uma inflação de 3% antes de abril. A realidade, no entanto, foi bem diferente: o Instituto de Estatísticas e Censos da Argentina (INDEC) anunciou que a inflação de fevereiro foi de 6,6%, acumulando 102,5% nos últimos 12 meses.

É preciso recuar a setembro de 1991 para encontrar um índice semelhante (115%). Porém, se há 32 anos, a Argentina saía de uma hiperinflação, agora a inflação está em alta.

O maior aumento aconteceu nos alimentos (9,8%), cujo principal impacto acontece sobre o segmento mais pobre da população.

Os 6,6% de fevereiro ficaram acima dos 6,1% que os principais economistas do país previram, segundo a sondagem mensal do próprio Banco Central argentino.

Apesar de elevados, esses 6,6% foram contidos por preços congelados. Os aumentos nos preços não regulados pelo governo chegaram a 7,7%.

A meta de uma inflação mensal de 3% passou para o final do ano, mas poucos acreditam que seja possível alcançá-la. Há 13 meses, a Argentina não tem uma taxa mensal de inflação abaixo de 4%.

Tendência de alta


Leia mais em RFI Brasil

Leia também:
Argentina fechou 2022 com inflação de 94,8%, índice mais alto nos últimos 32 anos
Argentina atinge 71% de inflação anual, recorde nos últimos 30 anos