Armênia anuncia mais de 2.300 soldados mortos em Nagorno Karabakh

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Militares russos em um posto de controle em Chapar, na zona de Kalbakhar, em 14 de novembro de 2020, em Nagorno Karabakh
Militares russos em um posto de controle em Chapar, na zona de Kalbakhar, em 14 de novembro de 2020, em Nagorno Karabakh

A Armênia informou, neste sábado (14), a morte de mais de 2.300 de seus soldados no conflito para controlar o enclave de Nagorno Karabakh, que foi encerrado por um acordo de paz que consagra a vitória das forças azerbaijanas.

Este balanço representa cerca do dobro das baixas que Erevan havia anunciado anteriormente neste conflito, além de 50 civis armênios mortos desde a retomada das hostilidades com Baku, em setembro passado, pelo controle deste território do Cáucaso.

"Até o momento, nosso serviço forense examinou os corpos de 2.317 militares mortos, incluindo corpos não identificados", disse a porta-voz do Ministério da Saúde da Armênia, Alina Nikoghosian, no Facebook.

Segundo ela, os processos de troca de corpos com o Azerbaijão acabam de começar.

"Os beligerantes não dispõe, até o momento, de números definitivos", acrescentou.

O Azerbaijão não comunica suas perdas militares, restringindo-se a informar sobre 93 civis mortos nos bombardeios armênios.

O presidente russo, Vladimir Putin, que desempenha o papel de árbitro na região, declarou ontem que os combates em Nagorno Karabakh deixaram mais de 4.000 mortos e 8.000 feridos, além de dezenas de milhares de refugiados.

- Casas em chamas

Um acordo de paz assinado entre Armênia e Azerbaijão, negociado pela Rússia, pôs fim a sete semanas de intensos combates na autoproclamada república de Nagorno Karabakh, enclave montanhoso disputado há décadas entre esses dois países do Cáucaso.

Com este pacto, Baku reconquista amplos territórios que estavam sob controle armênio desde o início dos anos 1990, quando a região se separou do Azerbaijão, causando uma guerra que deixou 30.000 mortos.

Forças de manutenção da paz russas foram enviadas esta semana para a zona de conflito para garantir que a trégua seja respeitada.

O anúncio deste acordo provocou protestos em Erevan, onde manifestantes invadiram brevemente a sede do governo e do Parlamento. A oposição exigiu a renúncia do primeiro-ministro Nikol Pashinyan.

Como um símbolo desta humilhante derrota, alguns armênios preferiram queimar suas casas a vê-las nas mãos das forças azerbaijanas, na véspera de sua chegada a certas zonas.

Um jornalista da AFP viu moradores ateando fogo a suas casas na manhã deste sábado no povoado de Charektar, na zona fronteiriça com Nagorno Karabakh.

Antes das chegada das tropas do Azerbaijão neste domingo (15), quando assumem o poder local, os moradores carregavam todos os pertences que podiam para ir embora.

"É o último dia. Amanhã os soldados azerbaijanos estarão aqui", declarou um soldado, antes de incendiar sua residência.

"Esperávamos estar seguros. Mas, quando começaram a desmontar a estação hidrelétrica, entendemos", comenta um morador local.

"Todo o mundo vai queimar sua casa hoje [...] Nos deram até meia-noite para ir embora", completa.

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