Armênia anuncia que suspenderá embargo aos produtos turcos

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A recusa da Turquia em reconhecer o genocídio de armênios pelos otomanos durante a Guerra Mundial estremeceu os laços entre os países (AFP/Sakis MITROLIDIS)

A Armênia anunciou nesta quinta-feira (30) que suspenderá seu embargo aos produtos turcos, em vigor há um ano, a partir de 1º de janeiro, enquanto os dois governos tentam normalizar suas relações historicamente tensas.

O relacionamento entre os dois países está estremecido pelo fato da Turquia não reconhecer o genocídio dos armênios sob o Império Otomano, e devido ao apoio turco ao Azerbaijão durante a guerra contra a Armênia no ano passado.

Mas, após anos de tensões, os dois países, cuja fronteira comum está fechada há quase três décadas, vêm apresentando gestos de apaziguamento nas últimas semanas, sendo o último deles o anúncio da suspensão do embargo.

"Foi decidido não estender o embargo à importação de produtos turcos para o nosso país", declarou o Ministério da Economia da Armênia em um comunicado.

"Esperamos que, em virtude do princípio da reciprocidade, sejam criadas condições favoráveis para permitir a exportação de produtos armênios" para a Turquia, acrescentou.

Antes do anúncio desta medida, os dois países nomearam, em meados de dezembro, emissários para normalizar as relações e as companhias aéreas armênia e turca apresentaram pedidos de voos charter entre os seus territórios.

O ministro das Relações Exteriores turco, Mevlüt Cavusoglu, disse na quinta-feira que os dois enviados provavelmente se reunirão em janeiro em Moscou, território neutro, já que a Rússia mantém boas relações com a Turquia e a Armênia.

"Essa primeira reunião será importante", frisou Cavusoglu em uma entrevista televisionada, considerando os esforços da Armênia para melhorar suas relações com seu país como prova de suas "boas intenções".

No entanto, ele minimizou a importância de acabar com o embargo armênio, uma vez que "não foi aplicado de qualquer maneira".

- "Atmosfera propícia" -

Para Hakob Badalyan, um cientista político armênio, o anúncio de Erevan é acima de tudo um gesto simbólico de boa vontade antes do encontro entre os dois emissários.

"A Armênia quer criar uma atmosfera propícia ao diálogo", afirmou à AFP.

O embargo entrou em vigor em 1º de janeiro de 2021, depois que a Turquia apoiou o Azerbaijão em uma guerra contra a Armênia em Nagorno Karabakh no outono de 2020.

O conflito, que deixou mais de 6.500 mortos, resultou na derrota da Armênia, que teve de ceder a Baku várias regiões ao redor de Nagorno Karabakh, território povoado principalmente por armênios e que declarou sua secessão do Azerbaijão após a queda da União Soviética, há trinta anos.

Armênia e Turquia já haviam assinado, em 2009, um acordo para normalizar suas relações. O texto levaria à abertura de sua fronteira comum, mas Erevan nunca o ratificou e abandonou o processo em 2018.

O principal obstáculo em suas relações é a recusa de Ancara em reconhecer os massacres de armênios perpetrados pelo Império Otomano durante a Primeira Guerra Mundial como genocídio.

Muitos historiadores descrevem esses massacres como genocídio, um conceito compartilhado por governos ou parlamentos de vários países, como Estados Unidos, França e Alemanha. Estima-se que entre 600.000 e 1,5 milhão de armênios foram mortos naquela época.

Mas a Turquia, país que nasceu do desmantelamento do Império Otomano em 1920, rejeita esse termo e diz que houve uma guerra civil na região que, agravada pela fome, causou a morte de 300.000 a 500.000 armênios e outros tantos turcos.

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