Armênia anuncia trégua com Azerbaijão após 'mediação' russa

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Mapa de Armênia, Nagorno Karabakh e da zona fronteiriça do Azerbaijão. (AFP/Paz PIZARRO)

A Armênia anunciou nesta terça-feira que concluiu uma trégua com o Azerbaijão graças à "mediação" da Rússia, após um dia de confrontos perto da disputada região de Nagorno-Karabakh, que gerou temores de uma retomada da guerra entre os dois países.

"Com a mediação da parte russa, um acordo foi alcançado para interromper os tiroteios na fronteira oriental da Armênia a partir das 18h30", informou o Ministério da Defesa da Armênia. "A situação se estabilizou relativamente", acrescentou o ministério, segundo o qual um soldado armênio morreu e vários ficaram feridos nos confrontos, pelos quais as duas capitais se culparam mutuamente.

O ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, trocou telefonemas com os colegas da Armênia e do Azerbaijão, pedindo aos dois lados "que interrompam as ações que provocam uma escalada da tensão", informou o Exército russo. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, conversou na tarde de hoje com o premier da Armênia, Nikol Pachinian.

Os novos confrontos entre a Armênia e o Azerbaijão, que travaram uma guerra pelo enclave de Nagorno-Karabakh no ano passado, levantaram temores de uma retomada das hostilidades. O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, pediu aos líderes de ambos os países uma "redução urgente da escalada".

As Nações Unidas, por sua vez, exortaram ambas as partes a exercerem "a moderação", enquanto a França exigiu o "respeito ao cessar-fogo" alcançado após a guerra do ano passado.

Os últimos acontecimentos ilustram o equilíbrio precário no barril de pólvora do Cáucaso, quase um ano após o fim de um conflito sangrento de seis semanas.

- Perda de posições e soldados capturados -

A Armênia perdeu o controle de "duas posições militares" e 12 de seus soldados foram capturados pelo Azerbaijão, afirmou o Ministério da Defesa, que afirmou ter infligido "grandes perdas" às forças azerbaijanas.

O primeiro-ministro armênio denunciou uma "agressão contra o território soberano do país", durante uma reunião do conselho de segurança nacional. Foi a Armênia, membro de uma aliança liderada por Moscou, que pediu ajuda à Rússia.

O Azerbaijão, por sua vez, acusou a Armênia de uma "provocação em larga escala", afirmando que o país vizinho atacou suas posições nos distritos de Kalbajar e Lachin, a oeste de Nagorno-Karabakh. A Armênia perdeu esses distritos na guerra no ano passado.

O Ministério da Defesa do Azerbaijão afirmou que os soldados armênios abandonaram suas posições "em pânico", e indicou que dois soldados azerbaijanos ficaram feridos.

Os combates eclodiram apesar da presença na região de forças de manutenção da paz russas, destacadas em novembro de 2020, no âmbito do cessar-fogo negociado por Putin. Os combates atuais são os mais intensos desde o fim do conflito, após o qual a Armênia foi forçada a ceder várias regiões ao redor de Nagorno-Karabakh para o Azerbaijão.

A derrota da Armênia no ano passado foi vivida como um trauma por grande parte da população, e ainda abala o cenário político. Na semana passada, milhares de pessoas protestaram em Yerevan para exigir a renúncia de Nikol Pachinian, descrito pela oposição como um "traidor", por ter concluído uma trégua com Baku.

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