Armênia e Azerbaijão voltam a se enfrentar após confrontos mortais

Por Gabrielle Tétrault-Farber

TBILISI (Reuters) - Novos confrontos eclodiram entre o Azerbaijão e a Armênia nesta quarta-feira, enquanto esforços internacionais por paz se intensificaram um dia depois que as ex-repúblicas soviéticas testemunharam a violência mais mortal desde 2020.

O primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinyan, disse ao Parlamento que o pequeno país sem litoral apelou à Organização do Tratado de Segurança Coletiva, liderada por Moscou, para ajudá-lo a restaurar sua integridade territorial após os ataques do Azerbaijão.

"Se dissermos que o Azerbaijão atacou a Armênia, isso significa que eles conseguiram estabelecer o controle sobre alguns territórios", disse Pashinyan, segundo a agência de notícias Tass.

A violência que eclodiu na terça-feira ao longo da fronteira da Armênia com o Azerbaijão, que Baku atribuiu a Yerevan, provocou um apelo por paz do presidente russo, Vladimir Putin, e pedidos internacionais de contenção.

O vice-ministro das Relações Exteriores da Armênia, Paruyr Hovhannisyan, disse à Reuters nesta quarta-feira que existe o risco de que os confrontos mortais se transformem em uma guerra, um segundo grande conflito armado na ex-União Soviética, no momento em que os militares russos estão focados na invasão da Ucrânia.

Um conflito total entre Armênia e Azerbaijão arrisca arrastar Rússia e Turquia e desestabilizará um importante corredor para gasodutos que transportam petróleo e gás, assim como a guerra na Ucrânia interrompe o fornecimento de energia.

O Azerbaijão acusou a Armênia, que está em uma aliança militar com Moscou e abriga uma base militar russa, de disparar morteiros e artilharia contra suas unidades do Exército.

O Ministério da Defesa da Armênia, que negou bombardear as posições do Azerbaijão, disse que os combates desta quarta-feira diminuíram em grande parte ao meio-dia (no horário local).

O aumento da violência provocou preocupação internacional, com Rússia, Estados Unidos, França e União Europeia intensificando os esforços diplomáticos.

A Armênia e o Azerbaijão lutam há décadas por Nagorno-Karabakh, um enclave montanhoso reconhecido internacionalmente como parte do Azerbaijão, mas que até 2020 era totalmente povoado e controlado por armênios étnicos, com o apoio de Yerevan.

(Reportagem de Nailia Bagirova em Baku, Gabrielle Tétrault-Farber em Tbilisi e Lidia Kelly em Melbourne)