Armas apreendidas em 2019 somam mais de R$ 23 milhões no Rio

Carolina Heringer e Leonardo Sodré
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Estudo inédito feito pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) contabilizou mais de R$ 23 milhões em armas apreendidas pelas forças de segurança no ano passado. No período, foram retiradas 8.423 armas das mãos de bandidos, o que levou o acumulado da década chegar a 82.969 unidades: aproximadamente, uma a cada hora. Um terço das pistolas e metade dos fuzis foram retirados de circulação após morte por intervenção policial.

O relatório traz informações sobre as circunstâncias em que as apreensões ocorreram, os fabricantes e o município em que foi registrado o boletim de ocorrência sobre o armamento. As análises constataram ainda que os criminosos estão modificando seu modo de atuação. Em 2019, fuzis e pistolas figuraram na lista das quatro armas mais encontradas nas mãos dos bandidos. A quantidade de fuzis apreendidos (550, o que representa 6,5% do total) foi 11% maior que no ano anterior e a mais alta desde 2007. Isso pode indicar o aumento do poder de letalidade dos bandidos. No entanto, o número total de apreensões de armas caiu 6,5% em quatro anos, saindo de 9.010 unidades, em 2016, para 8.423, no ano passado.

Para a antropóloga Jaqueline Muniz, professora de Segurança Pública da UFF, a redução das apreensões frente ao aumento das operações mostram menor efetividade das ações policiais:

— Também não é possível mensurar o que essas apreensões representam no montante que o crime organizado tem de armamento, principalmente depois que a Presidência da República flexibilizou a compra de armas. Se esse prejuízo fosse significativo, o crime organizado teria sido mais impactado, e o que vimos foi uma expansão, sobretudo das milícias, que hoje atua em 57% do território da capital.

O maior número de apreensões, segundo o relatório, aconteceu no interior (3.202 ou 38% do total), onde se destaca a retirada de circulação de revólveres (1.360 ou 47,2% do total do estado) e espingardas (550 ou 75,4%). Na capital, fuzis e pistolas foram os mais confiscados, com 338 e 1.378 apreensões, respectivamente.

Os municípios do Rio, São Gonçalo, Campos, Caxias, Niterói, Nova Iguaçu, Belford Roxo, Volta Redonda, São João de Meriti e Angra dos Reis formam a lista das dez localidades onde ocorreram mais apreensões.

A delegada Marcela Ortiz, diretora-presidente do ISP, explica que o cálculo total do valor das armas apreendidas em 2019 foi feito levando em consideração o preço médio de cada uma:

— Esses dados podem indicar um aumento no poder bélico dos criminosos, pois aumentaram as apreensões daqueles que possuem maior letalidade (fuzis, por exemplo). São armas que possuem carregadores que podem conter 30 ou um número maior de munições, podendo ser automáticas ou não. Isso sem falar na questão do alcance de um tiro de fuzil.

O estudo ainda verificou que em relação a 46,7% das armas não foi possível identificar sua procedência, pois estavam com numeração adulterada, suprimida ou ausente. Para a delegada, a constatação é importante na medida em que essa falta de dados sobre o armamento muitas vezes atrapalha o trabalho de investigação da polícia.

Das 8.423 armas apreendidas em 2019, 151 foram entregues voluntariamente em delegacias do estado. As restantes estão relacionadas a algum crime cometido.

— Esse levantamento pode contribuir para a compreensão do fenômeno da circulação dessas armas e ajudar a elaborar estratégias para tirá-las de circulação, uma vez que foram utilizadas para a prática de crimes — diz Marcela.