Armas de PMs envolvidos em ação que matou mulher no Complexo do Alemão são apreendidas

A Polícia Civil informou, na noite desta sexta-feira (22), que as armas dos policiais militares envolvidos na ação que resultou na morte de Letícia Marinho Salles, de 50 anos, estão sendo apreendidas para perícia. A mulher foi baleada na manhã desta quinta (21), durante a operação que matou outras 16 pessoas no Complexo do Alemão, incluindo um PM atingido dentro da base da UPP. A família de Letícia acusa PMs pelo disparo que vitimou a mulher, atingida no carro ao parar em um sinal vermelho.

As investigações estão a cargo da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), que também apura o assassinato do cabo Bruno de Paula Costa, de 38 anos. Segundo a especializada, tanto testemunhas quanto os agentes que estavam no local em que Letícia foi baleada estão prestando depoimento. A Polícia Civil não informou, contudo, quantas armas foram apreendidas, nem quantas pessoas já foram ouvidas na DHC. Procurada, a PM também não respondeu o número de armas entregues para perícia.

As filhas de Letícia clamaram por justiça, citaram o despreparo da polícia e disseram que o sentimento é de dor e revolta. As duas estiveram no Instituto Médico-Legal (IML), no Centro do Rio, na manhã desta sexta-feira (22), para liberar o corpo dela. Letícia Marinho Salles era moradora do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio, mas estava no Alemão quando o tiroteio começou. Ela era mãe de três filhos, que já haviam perdido a avó há menos de uma semana.

— O sentimento é de dor, revolta e injustiça. Minha mãe era uma mulher de 50 anos que temia tanto pela justiça. Ela foi covardemente alvejada sem passar qualquer tipo de perigo. Ela não fez nada e aconteceu essa covardia por despreparo da polícia. Eu quero que seja feita a justiça. Não desejo isso que eu estou sentindo hoje para ninguém. Foi tirado um pedaço de mim. É isso que o governador tem para nos oferecer? Entrar e matar? — indagou Jenifer Salles.

Jenifer conta que a mãe era uma pessoa muito querida e sempre procurava ajudar as pessoas:

— Ela ajudava todo mundo. Sempre acolheu a todos. Ela era amada por onde passava. Minha mãe colocava pessoas dentro da casa dela para ajudar, mesmo sem conhecer. A única coisa que eu cobro do governador Cláudio Castro é justiça. Quero saber quem fez isso. O Estado foi totalmente negligente — afirmou.

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