Armas usadas por PMs envolvidos em tiroteio que acabou com morte frentista são apreendidas

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Três fuzis usados por um oficial e dois praças que se envolveram numa troca de tiros com traficantes do Morro do Urubu, nesta sexta-feira, quando o frentista Bruno Leonardo Vidal de Almeida, de 39 anos, acabou sendo morto após ser atingido por uma bala perdida, foram apreendidos pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). Caso a bala que atingiu a vítima seja encontrada no corpo do frentista, durante exame cadavérico que será feito no Instituto Médico-Legal, as armas apreendidas e o projétil poderão passar por um confronto balístico. Assim, o resultado da perícia poderia esclarecer se o tiro que matou Bruno saiu dos fuzis usados pelos policiais ou se veio de uma arma usada pelos bandidos.
Imagens de câmeras de segurança, que flagraram parte da ação e a morte do frentista, mostram que pelo menos sete bandidos atacaram a tiros um carro descaracterizado da PM, que era ocupado por um oficial e dois praças. Os PMs reagiram e também dispararam. A gravação não deixa claro de onde veio o disparo que acertou o frentista. Ele estava saindo de casa quando o tiroteio começou. Bruno ainda tentou se proteger atrás de uma árvore e próximo de um carro, quando foi ferido na altura do ombro direito.

No tiroteio, um oficial foi ferido no pé. Um bandido também foi atingido por um disparo e acabou sendo preso. Os traficantes fugiam de uma operação no Morro do Urubu, quando resolveram atacar os ocupantes de um carro que estava numa rua próxima do morro, na altura do Bairro de Thomaz Coelho.

Pai de um casal de filhos, um adolescente de 17 anos e uma menina, de 8, Bruno é descrito por parentes como uma pessoa alegre que fazia amizades facilmente. A família da vítima disse ter ficado impressionada ao ver a gravação do vídeo feito por uma câmera de segurança que mostrou o momento exato em que o frentista foi baleado e morto.

— Foi chocante ver a imagem no vídeo. Foram os últimos momentos de vida do Bruno. A gente não está acusando ninguém, mas quer entender o que aconteceu e saber como ele foi baleado. Ele era uma pessoa alegre e brincalhona. Estava feliz com o emprego novo, onde começou há dois meses. Antes chegou a trabalhar como motorista de aplicativo e até trabalhou num trailer com a mulher dele. Mas, com a pandemia ele parou e foi para o posto de gasolina — contou um parente do frentista.

Nesta sexta-feira, colegas de trabalho de Bruno disseram ter estranhado o atraso dele — já que ele era o primeiro a chegar no posto de gasolina. O gerente do estabelecimento, Rafael Salles, e o amigo, que indicou Bruno para o emprego, contam que souberam da morte do funcionário por um cliente que abastecia o carro nesta manhã.
— O Bruno estava aqui há dois meses. Era novo. O que sabemos é que ele estava vindo trabalhar quando foi atingido. Ele sempre foi um dos primeiros a chegar. Ele chegava às 5h30. Quando deu 6h e nada, a gente pensou que tinha se atrasado por ter acontecido alguma coisa. Às 6h30 um cliente passou aqui para encher o tanque e disse que ele havia morrido. Pensamos que fosse brincadeira. A gente não acreditava. Quando a gente viu na TV, era o carro dele e o corpo estava lá no chão — conta Rafael, que completou: — O Bruno conquistou todo mundo pelo seu jeito alegre e comunicativo. Ele era motorista de aplicativo até três meses. Devido à pandemia ele perdeu o emprego. Como ele disse que não estava gostando, ele me pediu para arrumar alguma coisa. Então, quando surgiu essa oportunidade, eu indiquei e ele foi contratado. Estava muito feliz. Mas infelizmente a realidade do Rio é essa. Você sai para trabalhar e pode não voltar.

Por meio de nota, a PM informou que uma equipe do 3ºBPM (Méier) realizava uma ação de ocupação na Comunidade do Urubu, com apoio de agentes do 1ºCPA, quando foi atacada por bandidos que tentavam fugir pelo condomínio dos Correios. Ainda segundo a notaa, um policial foi baleado no pé e um morador, também atingido, morreu. O policial foi levado para o Hospital Municipal Salgado Filho.

Um bandido também foi atingido e encaminhado para a mesma unidade de saúde. Com ele, uma pistola foi apreendida. De acordo com a corporação, a ocupação do Urubu prossegue até segunda-feira e tem por objetivo coibir roubos de carros. Até esta tarde já haviam sido apreendidas duas granadas, drogas e um criminoso foi preso.

Veja a nota da PM:

"A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que, na manhã desta sexta-feira (1/10), policiais militares do 3ºBPM (Méier), com apoio de equipes do 1ºCPA, realizam início da ocupação na Comunidade do Urubu, em Pilares, zona norte do Rio.
Criminosos armados que tentavam fugir pelo condomínio dos Correios atacaram uma viatura que estava no cerco, baleando um policial no pé e um morador, que evoluiu para óbito. O policial foi socorrido ao Hospital Salgado Filho. O local foi preservado e a perícia foi acionada. Um criminoso também foi atingido e encaminhado a mesma unidade de saúde. Com ele, uma pistola foi apreendida.
A ocupação ao morro do Urubu prossegue até segunda-feira (4/10) e tem como objetivo impedir que criminosos roubem veículos nos bairros vizinhos, número que vem subindo.
Cabe ressaltar que o roubo de veículos não é somente um crime contra o patrimônio. É uma violência que coloca cidadãos sob a mira de uma arma. Isso mata e traumatiza.
Até o momento, as equipes apreenderam duas granadas e farto material entorpecente, além de prenderam um criminoso.
Ocorrência em andamento na DH."


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