Arminio Fraga, Neca Setubal e centrais sindicais fazem carta de apoio a Josué Gomes na Fiesp

Chamado de Comitê de Defesa da Democracia, o grupo formado por intelectuais, investidores, sindicalistas e empresários que articulou os manifestos pró-democracia lidos em agosto do ano passado na Faculdade de Direito da USP divulgou nesta quarta-feira uma carta em apoio ao presidente da Fiesp, Josué Gomes da Silva, que pode ser destituído do cargo.

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O texto é assinado por nomes como o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga; a socióloga e banqueira Neca Setubal; o diretor do Instituto Ethos, Caio Magri; o presidente da central sindical UGT, Ricardo Patah; o secretário-geral da Força, João Carlos Gonçalves (Juruna); o diretor da Faculdade de Direito da USP, Celso Campilongo; e o advogado e professor da FGV Oscar Vilhena Vieira, entre outros.

Com duras palavras, o documento traça um paralelo entre a oposição a Josué Gomes na Fiesp a vândalos que promoveram os atos terroristas de cunho golpista no país em 8 de dezembro. Como se sabe, Josué enfrenta forte oposição de sindicatos patronais fomentados por seu antecessor no cargo, o bolsonarista Paulo Skaf.

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Na última segunda-feira, uma votação dos sindicatos filiados à entidade destituiu Josué do cargo, mas o dirigente questiona a validade jurídica e a forma da votação, uma vez que houve quórum esvaziado, além de o próprio Josué e aliados terem deixado o local antes da votação.

Em seu texto, o Comitê de Defesa da Democracia manifesta "sua indignação com a insidiosa tentativa de afastamento de Josué Gomes de suas funções como Presidente da Fiesp, perpetrada por alguns representantes de sindicatos patronais da entidade".

O documento afirma que "causa particular repulsa" o fato de pesar contra Josué Gomes seu apoio ao “Manifesto em Defesa da Democracia e da Justiça”, organizado pelo comitê e lido em 11 de agosto de 2022 no Largo de São Francisco. O ato teve cerca de 150 mil pessoas e ficou conhecido como Dia da Democracia.

Ao mesmo tempo, foi repudiado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), que viu nos protestos uma afronta pessoal. Na Fiesp, houve resistências da ala bolsonarista da entidade, capitaneada por Paulo Skaf e com capilaridade especialmente no empresariado do interior do estado.

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O Ciesp, presidido por Rafael Cervone, aliado de Skaf e primeiro vice-presidente da Fiesp, não apoiou o manifesto. Cervone, hoje, é tido como principal cotado a assumir a maior entidade empresarial do país caso a caída de Josué se confirme.

"A participação de Josué Gomes na defesa da democracia foi essencial para que as eleições de 2022 ocorressem dentro da normalidade, devendo ser motivo de orgulho para a classe empresarial brasileira. Não se pode admitir, portanto, que um pequeno grupo de pessoas ressentidas com o triunfo da democracia sobre o autoritarismo venha agora, em sintonia com aqueles que vandalizam nossas instituições, retaliar uma liderança empresarial exemplar, que sempre deixou claro ser a democracia o único caminho para que o Brasil supere os seus principais desafios", afirma o documento do comitê, em clara alusão aos recentes atos terroristas em Brasília.

"Como cidadãs e cidadãos irmanados na defesa do Estado Democrático de Direito, hipotecamos a Josué Gomes nossa integral solidariedade", finaliza o texto.