Arquidiocese do Rio vai registrar hostilidade ao Padre Omar como crime de perturbação à liberdade religiosa e de culto

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RIO — A direção jurídica da Arquidiocese do Rio vai procurar a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), nesta segunda-feira, para abrir um registro de ocorrência contra as hostilidades sofridas pelo Padre Omar Raposo, no qual pretende tipificar os atos contra o religioso como crime de perturbação à liberdade religiosa e de culto. Segundo o Santuário do Cristo Redentor, que administra a capela e a estátua no Corcovado, o padre foi barrado na manhã de sábado, por seguranças do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que faz a gestão do Parque Nacional da Tijuca, onde está o ponto turístico. Ele tentava subir pela Estrada das Paineiras para celebrar um batizado aos pés do Cristo.

A comitiva da qual faziam parte pais, padrinhos e a criança também foi impedida de acessar o parque naquele momento, tendo sido alegado que não estavam autorizados. A cerimônia, inicialmente marcada para 7h30, foi então realizada duas horas depois, quando todos conseguiram subir até o monumento. Na opinião da diretora jurídica da Arquidiocese, Claudine Milione Dutra, esse foi mais um caso de perturbarção da liberdade religiosa e de culto.

— É muito clara a doutrina nesse sentido. É tipificada a dificultação de acesso ao local de culto como crime contra a liberdade religiosa e de culto, pelo artigo 208 do Código Penal — argumenta Claudine.

Padre Omar está de viagem marcada para o Vaticano neste domingo, onde pretende discutir esses recentes episódios. Em resposta, O ICMBio informou que por questões de segurança dos frequentadores e conservação ambiental de alguns Parques Nacionais, todos os veículos que acessam as áreas restritas precisam se identificar. Eventualmente, essa checagem pode levar um pouco mais de tempo, devido a quantidade de frequentadores em eventos e nos finais de semana.

Em nota de repúdio divulgada no sábado, o Santuário relembrou outros episódios recentes em que diz ter havido constrangimento com convidados e religiosos. Em episódio similar, funcionários terceirizados da iluminação do Cristo Redentor não puderam subir para colocar uma luz verde no monumento no dia 2 de setembro. Era uma ação que visava chamar a atenção para a importância da doação de órgãos.

No dia seguinte, 3 de setembro, o problema seria que convidados da Arquidiocese do Rio de Janeiro não puderam acessar o santuário. Após a celebração, o Santuário ofereceu café da manhã gratuito aos fiéis, mas alegam que o Parque Nacional da Tijuca também vetou o acesso de água aos convidados.

— Isso vem se repetindo. A gente tenta contornar, conversando, mas infelizmente não é a primeira vez. Chegou a um momento que não tem mais o que fazer e a gente vai ter que registrar a ocorrêcia, porque é um crime grave. Se a gente deixar que esse tipo de liberdade seja mitigada, daqui a pouco a gente acaba tendo um estado perseguidor. A gente tem de tomar algumas medidas. Não digo que o perseguidor seja a instituição. Talvez sejam alguns servidores. isso vai ter de ser investigado pela delegacia — afirma a diretora jurídica.

O Santuário Cristo Redentor afirma ainda que nos últimos anos que foram colocadas guaritas e catracas no acesso ao monumento pela Estrada das Paineiras, quando também passou a ser exigida autorização pelo parque. Eles lembram ainda que tudo é enviado aos funcionários do Parque Nacional e que o acesso ao santuário sempre foi gratuito, que o que é cobrado é pelas concessionárias de vans e trens que levam o público.

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