Arquitetas mostram o que suas clientes vêm pedindo nos projetos

Ana Carolina Diniz

RIO — Independentes, que decidem o próprio destino e transformam projetos de arquitetura. No Dia Internacional da Mulher, reunimos residências projetadas recentemente por arquitetos cariocas para mulheres de diferentes faixas etárias: 35, 55, 60 e 70 anos.

— São mulheres que trabalham fora ou estão aposentadas e pedem projetos com revestimentos práticos porque não têm tempo de ficar cuidando da casa ou porque curtir a vida se tornou prioridade — afirma Jacira Pinheiro.

Bitty Talbot e Cecília Teixeira, da Brise Arquitetura, também perceberam esta mudança nos últimos anos.

— A formalidade ficou no passado. A casa hoje é mais despojada, para ser vivida em todos os ambientes. Aquela casa compartimentada, com cerimônia, já era. A cozinha aberta para a sala é um reflexo dessas mudanças. Hoje, a anfitriã pode receber seus convidados tanto na sala como na cozinha —diz Bitty.

— A maioria pede uma morada para viver sem frescura, com menos espaço (porém muito bem aproveitado), sempre com a cozinha aberta para a sala. A casa atual virou um lar para elas receberem amigos e parentes em casa, com o máximo de descontração.

Revestimentos

Jacira vê outra particularidade: além de ambientes confortáveis e aconchegantes, as mulheres pedem revestimentos práticos de manter e duráveis, uma marcenaria bem detalhada com foco em organização e armazenagem, além de cozinhas pequenas, porém completas.

— Outro pedido recorrente é uma boa iluminação nos banheiros para maquiagem e um closet muito bem planejado.

Cristina Bezamat, da Bezamat Arquitetura, salienta que, mesmo morando com parceiros ou filhos, as clientes expressam sua personalidade nas escolhas que fazem para a morada.

— Ela quer que sua casa reflita seu dia a dia, valorizando seus hábitos e preferências. E não precisa mais compartilhar decisões.

A decoração deve priorizar a vida de quem mora na casa, seu conforto e dinâmica. Receber bem a família e os amigos é uma vivência afetiva importante, mas isto não mais determina a utilização e a decoração de ambientes.

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— É preciso encontrar um ponto de equilíbrio que atenda a todos os aspectos da vida do morador.

Em casas separadas

Bernardo Gaudie-Ley e Tânia Braida, da Beta Arquitetura, relatam que têm feito cada vez mais projetos para mulheres solteiras:

— A maioria tem um relacionamento, mas em casas separadas. Por isso, elas querem ter um ninho com a própria cara — dizem.

Em um projeto para uma cliente da área de moda, na faixa de 35 anos, Tânia, conta que a moradora queria algo em um estilo industrial, moderno, porém com pitadas de rosa:

— Projetamos um ambiente para receber amigos em conceito aberto, com tudo integrado, sem paredes. Para isso, criamos uma ilha que ajuda a setorizar as áreas de estar, de trabalho e a cozinha. Adotamos um estilo industrial, que era um sonho da moradora, com toques de cor nos tecidos.