'Arrebentou a âncora e vai bater', disse tripulante ao filho por telefone antes de navio colidir na ponte

O marinheiro de máquinas Carlos Alberto, de 52 anos, que trabalha embarcado no navio São Luiz com um amigo desde 2018 ligou para o filho filho, Lucas Ventura, de 23 anos, por volta das 18h32 da última segunda-feira avisando que a âncora da embarcação havia rompido e que iria colidir com a Rio-Niterói. Lucas disse que o pai havia recebido uma proposta para trabalhar embarcado como operador de máquinas, mas que, ao chegar no navio, assumiu a função de "tomar conta para que a embarcação não fosse invadida". Ele e o colega recebiam alimentos uma vez por mês e já vinham comunicando o dono do navio e a Marinha sobre risco de acidente pelo estado precário da embarcação.

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O filho do tripulante relatou ainda que o pai e o amigo tiveram a carteira de trabalho assinada apenas há 3 meses. Lucas disse ainda que, no dia do acidente, horas antes da colisão, os dois teriam ligado várias vezes para Marinha, que não atendeu aos chamados. Carlos Alberto tem mais de 22 anos de experiência com navios.

— Quando os rebocadores chegaram ao navio, não prestaram nenhum auxílio ao meu pai. A Marinha afirmou que não havia ninguém na embarcação. Não se preocuparam com a vida deles. Até o dono do navio ligou para a Marinha, e eles ignoram — afirmou Lucas.

Lucas afirmou ainda estranhou o fato de a Marinha alegar que a embarcação estava vazia. Já que, de acordo com relato do pai, quando os rebocadores chegaram para fazer a retirada do navio, as luzes estavam acesas.

— Meu pai não se machucou com a batida. Ele e o amigo passam bem. Mas eu acho um descaso terem ignorando a presença deles. Se tivessem se machucado, é bem provável que não fariam o resgate deles — criticou o jovem.