Arsenal de membro do PCC com certidão de CAC mostra peneira do sistema de registro

Demonstrators inflate a doll depicting Brazil's President Jair Bolsonaro during a protest in support of gun rights and Brazilian President Jair Bolsonaro, in Brasilia, Brazil, July 9, 2022.REUTERS/Adriano Machado
Em manifestações pró-Bolsonaro, até boneco faz arminha com a mão. Foto: Adriano Machado/Reuters

Em uma eleição de caráter plebiscitário como promete ser a atual, a questão do armamentismo certamente será um tema central no embate entre candidatos.

A pauta, afinal, é um dos motes da campanha de Jair Bolsonaro, que se orgulha de ter assinado uma série de decretos que facilitou e ampliou o acesso a armas para a população civil. A explosão de clubes de tiros e dos registros para caçadores e atiradores esportivos é um termômetro de que o atual presidente, ao menos neste caso, cumpriu a promessa.

Bolsonaro já chegou a espalhar que seu adversário Luiz Inácio Lula da Silva iria substituir os clubes de tiro por bibliotecas se fosse eleito. Uma ameaça e tanto.

O presidente costuma atribuir a queda nos índices de homicídio registrado nos últimos anos no país à ampliação do acesso a armas. Como se grupos criminosos abandonassem a abordagem violenta diante da possibilidade de suas vítimas portarem armas e poder revidar.

Não é bem assim, conforme apontam especialistas, que veem uma série de outros fatores a explicar os índices atuais de homicídios –entre elas o arrefecimento da guerra entre facções.

Nesta semana, o cumprimento de um mandado de busca e apreensão pela Polícia Federal reforçou o temor de que, em vez de semear segurança, a facilidade para obtenção de armamentos pode na verdade estar armando grupos criminosos.

Foi o que os agentes perceberam ao apreender armamento pesado comprado com autorização do Exército por um membro do PCC (Primeiro Comando da Capital).

O criminoso tinha certificado de CAC (caçador, atirador esportivo e colecionador) e conseguiu adquirir seu arsenal mesmo tendo uma ficha corrida com 16 processos criminais, entre eles homicídio e tráfico.

O juiz do caso, Humberto Ferreira, da Justiça Federal de Uberlândia (MG), demonstrou espanto ao saber da facilidade com que o criminoso ludibriou as autoridades competentes. Afinal, como mostrou o magistrado, bastava uma simples pesquisa na internet para saber de quem se tratava.

A pesquisa, segundo ele, deveria logo acender um alerta e exigir uma série de diligências antes da concessão do certificado. Por que isso não aconteceu?

O caso, ainda coberto de nuvens, mostra como o sistema para concessão de registros virou uma grande peneira sob Bolsonaro.

As eleições deste ano são uma oportunidade para debates mais sérios que ajudem a população a manifestar nas urnas seu apoio ou não à atual política armamentista. Uma política que semeia a guerra, beneficia apenas fabricantes dos equipamentos letais e que tem no presidente o seu maior garoto-propaganda.

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