Arthur Lira nega acusações de recebimento de propina e fala em 'ato de vingança'

A defesa do deputado federal Arthur Lira (PP-AL), um dos principais parlamentares do chamado centrão e novo aliado do presidente Jair Bolsonaro, negou ter recebido propina de R$ 1,6 milhão da empreiteira Queiroz Galvão, em troca do apoio do PP à manutenção do então diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Ele foi denunciado nesta sexta-feira pela Procuradoria-Geral da República (PGR) sob acusação de corrupção passiva. Em nota, a defesa do parlamentar reafirma que o operador Carlos Alexandre Rocha, conhecido como Ceará e citado pelo doleiro Alberto Youssef em delação como sendo o responsável pela entrega do dinheiro, disse em depoimento à Polícia Federal não conhecer Arthur Lira.

"O doleiro diz que Artur Lira recebeu indevidos valores por meio de um operador chamado Ceará, mas este ultimo – também colaborador – desmente tal versão em dois depoimentos", diz a nota.

Em depoimento à Polícia Federal no dia quatro de setembro de 2018, Ceará afirmou desconhecer qualquer assessor de Arthur Lira e disse que, se entregou o dinheiro para algum assessor do deputado, não estava ciente."Reafirma que desconhece qualquer assessor de Artur Lira, e caso tenha entregue dinheiro a tal pessoa, o fez sem saber a quem estava entregando o dinheiro', diz o depoimento.

Em outra declaração à PF no dia 16 de maio de 2019, Ceará confirmou que entregou valores em espécie em Brasília, mas que não seriam aos parlamentares ligados a Francisco Dorneles, entre eles, Arthur Lira.

"O depoente confirma que entregou valores em espécie em Brasília, mas que não seriam aos parlamentares ligados a Francisco Dorneles, a saber: GIRO NOGUEIRA, EDUARDO DA FONTE, ARTHUR LIRA, AGUINALDO BORGES", diz o documento.

A defesa ainda declarou que "Artur Lira fez parte de um grupo que assumiu a liderança do PP e afastou Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef do partido. Isso está provado e explica a inimizade dos colaboradores e suas reiteradas tentativas de envolver o parlamentar em ilícitos dos quais não participou" e que o "próprio STF reconheceu as inverdades de Youssef em outros depoimentos contra a Artur Lira. Fundamentar uma denuncia nas palavras desse doleiro é premiar um ato de vingança contra alguém que se postou contra suas práticas".

No inquérito, a defesa já afirmou que o parlamentar não tinha relação com os fatos investigados e chegou a pedir arquivamento da investigação. Na peça, a defesa afirmou que não havia provas concretas de que um assessor de Arthur Lira foi o recebedor da propina. "A presente investigação se revela uma tentativa de fortalecer uma mera especulação de Alberto Youssef contra o peticionário, não sendo corroborada por nenhuma das supostas fontes diretas de seus enredos", escreveu o advogado Pierpaolo Cruz Bottini.