Críticas por racismo, depressão e burnout: Arthur Nory desabafa após eliminação em Tóquio

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Arthur Nory ficou de fora das finais da barra fixa e solo em Tóquio (Foto: REUTERS/Henry Romero)
Arthur Nory ficou de fora das finais da barra fixa e solo em Tóquio (Foto: REUTERS/Henry Romero)

Arthur Nory desabafou após a eliminação precoce nas Olimpíadas de Tóquio. O ginasta, bronze nos Jogos do Rio, ficou de fora das finais no solo e barra fixa depois de desempenho abaixo da expectativa no Japão.

Os maus resultados vieram em meio à nova polêmica em torno do atleta e ataques na web por um ato de racismo que ele cometeu em 2015. Depois da apresentação neste sábado, ele admitiu impacto pela repercussão do episódio que tomou conta das redes sociais nos últimos dias.

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"Eu sempre tive muito medo, muito medo, desde o episódio do racismo, medo de falar, medo de assumir, medo de tudo. Fico sempre acuado, pensando em colocar o sorriso no rosto, brigando comigo para isso. E nestes últimos anos vêm isso muito forte, e no momento que você desabafa, assume, vem muita paulada. Venho tomando muita paulada agora e não vou mais me esconder. Vou assumir essa responsabilidade. É procurar melhorar todos dias", disse em entrevista coletiva.

Além disso, Nory revelou ainda ter sofrido com depressão e burnout nos meses que antecederam os Jogos Olímpicos de Tóquio.

"Foi ano difícil, tive burnout, depressão, tive que parar um tempo, voltar, focar na barra. E estou aqui em mais uma Olimpíada. Atleta, ser humano, a gente erra. Treinei bastante, foi um ano complicado, mas eu me entreguei. Fui até o fim brigando, ajudando a equipe no que eu podia", acrescentou o atleta, que é o atual campeão mundial na barra fixa.

Em 2015, Arthur Nory protagonizou um episódio de racismo contra o também ginasta e companheiro de seleção à época Angelo Assumpção. Ele e outros atletas gravaram um vídeo no qual faziam comentários comparando as cores branca e preta. Nory justificou à época que se tratava de uma "brincadeira".

Daiane dos Santos cita racismo estrutural

Logo após a entrevista de Nory, a ex-ginasta Daiane dos Santos comentou o assunto durante a transmissão da TV Globo. A comentarista disse que o atleta tem buscado se reciclar, mas citou racismo estrutural.

"Sempre é uma situação complicada. O ato quando aconteceu realmente foi um ato muito difícil. A gente fala coisas que a gente não pensa a repercussão. Como isso vai ecoar lá na frente. As pessoas que a gente vai atingir. Isso não é uma brincadeira. O Nory acho que tem tentado se reciclar, tem tentado trabalhar isso dentro dele. É importante não só ele fazer isso, mas as pessoas no geral entenderem que atos e situações como essas não devem ser praticados nunca", disse a ex-atleta.

"É muito importante falar tanto de racismo estrutural. É justamente essas questões que a gente acha que parece uma brincadeira, que é engraçado. Eu falo: 'É engraçado para quem?' Não é engraçado. Realmente ele tem passado por essa fase de reciclagem. Acho que ele tem tentado de alguma forma reverter essa situação", completou.

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