Arthur Weintraub teria coordenado “ministério paralelo” de Bolsonaro na pandemia

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Arthur Weintraub agradeceu ao presidente Jair Bolsonaro pela oportunidade e se despediu (Foto: Reprodução/Twitter)
Arthur Weintraub agradeceu ao presidente Jair Bolsonaro pela oportunidade e se despediu (Foto: Reprodução/Twitter)
  • Arthur Weintraub teria coordenado um grupo de aconselhamento ao presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia

  • Em vídeos e lives, ex-assessor da Presidência da República indicou coordenação do "ministério paralelo"

  • Ele afirmou que entrou em contato com médicos que defendiam o uso da cloroquina para tratar a covid-19

Ex-assessor da Presidência da República, o advogado Arthur Weintraub teria coordenado um grupo de aconselhamento ao presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia.

Em discurso no Palácio do Planalto e em lives nas redes sociais, ele deu indicações de que teria entrado em contato com médicos que defendiam o uso da cloroquina para tratar a Covid-19, medicamento comprovadamente sem eficácia para a doença.

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“Eu, a partir de fevereiro [de 2020], como assessor do presidente, então é uma oportunidade que me foi dada pelo presidente, eu comecei a entrar em contato com os médicos. Os médicos que tenho referência, como o doutor Luciano Azevedo, a doutora Nise [Yamagushi], o Paulo Zanotto”, disse, em agosto de 2020, num evento no Palácio do Planalto.

Os três nomes citados se notabilizaram pela defesa do chamado ‘tratamento precoce’ contra a covid-19.

Na mesma cerimônia, o anestesiologista Luciano Dias Azevedo agradeceu: “Gostaria de agradecer ao Arthur Weintraub porque desde o início de fevereiro ele nos procurou, começou unir os grupos de médicos para estudar a doença e pesquisar soluções. Senhor Arthur abriu portas”.

Em live veiculada em 12 de abril de 2020, Weintraub também falou sobre o assunto com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP): “Seu pai virou pra mim e disse: ô magrelo, você que é porra louca, vai lá e estuda isso daí. Ai comecei a ler artigo científico, artigo que o pessoal começa a soltar. Esses caras me mandando, o Luciano Dias Azevedo, Paulo Zanotto, e falei pra ele [Bolsonaro]: cloroquina tá funcionando, já tem resultado. Passei pra ele os estudos, ele lê. Eu passo no zap e depois tá impresso na mesa dele”.

Arthur chegou a dizer que poderia “dirigir a OMS”, após críticas por seu envolvimento em assuntos médicos.

Irmão do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub, Arthur deixou o cargo de assessor-chefe adjunto da Assessoria Especial da Presidência para assumir um posto na Organização dos Estados Americanos (OEA). Assim como o irmão, ele acumulou polêmicas nas redes sociais.

'Ministério paralelo'

Em seu depoimento à CPI da Covid no Senado, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta afirmou que o presidente Jair Bolsonaro tinha "aconselhamento paralelo" para a tomada de decisões na pandemia do coronavírus.

Por isso, o 'ministério paralelo' de Bolsonaro será um dos focos da comissão, que apura ações e omissões do governo federal durante a crise sanitária da covid-19. 

"Estes primeiros depoimentos deixam clara a existência de um ministério paralelo da saúde. Um poder paraestatal, das sombras, um gabinete das sombras, desconhecido, que não apenas aconselha, assessora, mas produz documentos, como a burla na bula, encaminha soluções, como produzir mais cloroquina, e confronta as orientações dos médicos", adiantou o relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL).

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