Artista brasileira leva instalação de realidade virtual para os EUA

Cândida Borges conta que ideia de projeto veio quando ela entendeu suas origens. Foto: Divulgação

A obra da artista brasileira Cândida Borges terá uma instalação em Miami, nos Estados Unidos, nos dias 7 e 8 de dezembro, como parte da exposição Context Art Miami. Em conjunto com o colombiano Gabriel Mario Vélez, a instalação foi nomeada de Transeuntis Mundi.

A ideia do projeto é mostrar a história dos transeuntes milenares que atravessaram o mundo e que formaram a humanidade como é conhecida atualmente. O propósito da instalação é mostrar a diversidade das pessoas e como podem existir vários tipos de ancestralidades em todos nós.

Em entrevista ao Yahoo, Cândida afirmou que a ideia para a instalação veio quando ela estava fazendo uma viagem e entendeu um pouco mais sobre sua própria origem. “O projeto surgiu a partir de um teste de DNA que fiz em Nova York em 2017, que apontou origens genéticas minhas em todo o globo terrestre. Fiquei fascinada pelo assunto desde então”, disse.

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Me conte sobre sua trajetória.

Cândida Borges: Venho de uma formação musical clássica, mesclada com a cultura popular da Bahia e do Rio de Janeiro. Há pouco mais de 10 anos assumi a experimentação com outras mídias e creio que isso foi fundamental pra minha criatividade. Hoje continuo trabalhando com música na maior parte do tempo, mas combino com explorações com imagem e texto. As colaborações nos facilitaram nesse cruzamento entre mídias, expandir as formas de compor, e é isso o que mais me interesso no momento. Me defino como uma artista transmídia.

De onde surgiu a ideia do projeto?

Cândida: O projeto surgiu a partir de um teste de DNA que fiz em Nova York em 2017, que apontou origens genéticas minhas em todo o globo terrestre. Fiquei fascinada pelo assunto desde então. Por isso, acabei transformando isso na minha pesquisa de doutorado, que é sobre o Projeto Transeuntis Mundi.

Qual a intenção do projeto?

Cândida: Eu queria traduzir em arte a riqueza da diversidade humana, que a gente descobre quando sai pra ver o mundo. Queria levar para as pessoas essa ideia da diversidade e também de origem, de raiz e ancestralidade. O sentido essencial da pesquisa, na verdade, é esse: provocar o espectador a se localizar geograficamente e culturalmente no mundo.

Como veio o convite para a exposição?

Cândida: Veio a partir da curadora com quem Gabriel Mario tem trabalhado há anos. Gabriel é meu parceiro na autoria deste projeto e é um artista plástico colombiano com muitas experiências no mercado internacional.

Qual foi sua reação ao saber do convite?

Cândida: Depois da estreia em Medellín, que foi muito acima das nossas expectativas, a gente queria logo apresentar nos Estados Unidos. Em Medellín, foram mais de 2.500 pessoas em nove dias, e a gente, realmente, não esperava isso e nem estava preparado. Mas a gente vai ganhando experiência. Terminou que já estreamos no EUA na semana passada, com uma apresentação no Rochester Institute of Technology. Os convites chegaram simultaneamente, e Rochester, então, foi nossa estreia nos Estados Unidos.

Quais as datas para a realização do evento?

Cândida: Nós vamos apresentar a obra em dois dias: 7 e 8 de dezembro.

O que espera do evento?

Cândida: É um evento muito seletivo, com uma programação muito especial da arte internacional. E esse mundo é bem novo pra mim, que venho de uma carreira musical. As exposições são uma exploração, e fico muito animada de experimentar essa nova forma de comunicação com o público.