Artista chinês vai instalar cercas em Nova York para denunciar inutilidade dos muros

(Arquivo) O artista dissidente chinês Ai Weiwei

O artista chinês dissidente Ai Weiwei irá instalar dezenas de cercas em Nova York no começo de outubro para gerar uma reflexão sobre como os muros dividem as pessoas e marcam fronteiras.

A instalação, intitulada "Good fences make good neighbors" (Boas cercas fazem bons vizinhos), chega em um momento em que o presidente Donald Trump ordenou a construção de um muro ao longo da fronteira com o México e busca proibir a entrada de cidadãos de vários países muçulmanos nos Estados Unidos.

O nome da instalação é o último verso de "Mending Wall" (Reparar o muro) do americano Robert Frost, um poema que reflete sobre a inutilidade de uma cerca divisória entre dois vizinhos.

Através deste projeto, o artista chinês, que mora em Berlim mas viveu em Nova York de 1983 a 1993, quer lembrar que "apesar de que as barreiras são utilizadas para nos dividir, todos somos parecidos".

"A cerca sempre foi um instrumento de manejo político do território", e "evoca associações com palavras como 'fronteiras', 'segurança' e 'vizinho', que estão vinculadas ao clima político atual", disse Ai em um comunicado.

Algumas das cercas serão colocadas em lugares emblemáticos de Nova York, como a praça Doris C. Freedman, no extremo sudeste do Central Park, a escola de arquitetura e engenharia Cooper Union, no East Village, e em estações de ônibus, indicou a Public Art Fund, fundação que solicitou a instalação, em um comunicado.

As instalações poderão ser vistas de 12 de outubro a 11 de fevereiro de 2018.