Artista plástico indígena Jaider Esbell é encontrado morto em São Paulo

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O artista plástico Jaider Esbell, de 41 anos, foi encontrado morto nesta terça-feira, na capital paulista. Indígena da etnia Makuxi, ele era natural de Roraima e uma das estrelas da Bienal de São Paulo. O motivo da morte ainda não foi confirmado.

Esbell estava com suas obras expostas desde setembro na mostra "Moquém_Surarî: arte indígena contemporânea", no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM São Paulo). A exposição faz parte da Bienal de São Paulo, evento do qual Esbell era visto como destaque da 34ª edição. Uma de suas obras está também no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio (CCBB RJ), na exposição "Brasilidade pós-modernismo", que fica em cartaz até 22 de novembro.

— É muito difícil processar a notícia, porque se tem alguém que eu associa à vida e à capacidade de gerar vida é o Jaider Esbell — lamentou Paulo Miyada, curador adjunto da Bienal. — Ele era um dos grandes destaques desse país num momento em que nos falta tanta inteligência. Ele tinha a capacidade de enxergar além das diferenças e o dom de promover encontros entre mundos e saberes, e o emprestava para todos que olhavam seu caminho e suas obras, que estavam apenas começando.

Visivelmente tocado, Miyada disse que ainda é cedo para pensar em homenagens por parte da Bienal. No fim de agosto, na semana anterior à abertura do evento, Esbell fez uma performance em frente à entrada do Pavilhão da Bienal, com um cartaz com os dizeres: “A Bienal dos Índios — AIC”. A sigla vem de Arte Indígena Contemporânea, movimento iniciado em 2013 por Esbell com outros artistas indígenas.

— A minha luta aqui é a mesma que está acontecendo em Brasília, para não deixar o Marco Temporal passar. Este pavilhão é um parlamento, estou atuando aqui como um advogado indígena, como um parlamentar indígena. — disse Esbell ao GLOBO, na ocasião. — Quando me convidaram, falei que não queria estar aqui sozinho, só entraria se fosse com a corporificação da minha política de ser indígena, para a sociedade branca escutar a realidade que ela minimiza e apaga. Esta luta não é só dos indígenas, é para preservar a vida de todo mundo, dos nossos netos.

Colega de profissão e profundo admirador da obra de Esbell, o artista plástico Ernesto Neto também disse estar "muito abalado com o sentido das coisas":

— O Jaider era um cara brilhante, um artista maravilhoso, mas acima de tudo uma grande pessoa, generoso. Perdemos uma grande força, alguém que estava abrindo caminho, revelando o invisível. Realmente difícil de acreditar que isto está acontecendo, é muito triste.

Indicado ao PIPA

O artista era um dos maiores expoentes da arte indígena contemporânea. Sua obra reúne pinturas e esculturas. Esbell também era escritor e produtor cultural indígena.

Esbell viveu até os 18 anos em Normandia, onde hoje é a Terra Indígena Raposa - Serra do Sol. Em 2013, ele fez sua primeira exposição no exterior, nos Estados Unidos, onde também foi convidado para dar aulas. Em 2016, ele foi indicado ao Prêmio PIPA, a maior premiação da arte contemporânea brasileira.

A morte de Esbell foi lamentada nas redes sociais. A ativista Alice Pataxó afirmou que é difícil e dolorosa a perda do "nosso jovem e grande artista". "Lamento muito e desejo força ao seu povo e família, estamos com vocês, rezando por ele", acrescentou.

A educadora Ane Xukuru lembrou que Esbell era um multiartista e o classificou como uma "voz importantíssima do movimento indígena contemporâneo do Brasil".

A diretora teatral Cida Falabella disse estar "arrasada" com a notícia da morte de Esbell. "Um artista brilhante, no auge da sua potência, que encantou BH durante o CURA 2020 e tantas outras cidades do mundo, trazendo a arte e cosmovisão indígena para o centro. Uma perda imensa", disse.

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