Artistas e acadêmicos cubanos pedem a Biden a suspensão do embargo americano

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Agentes de segurança em frente a uma agência da empresa de remessas Western Union em Havana, 23 de novembro de 2020, depois que a companhia parou de operar devido a novas sanções impostas pelos EUA

Uma centena de artistas e acadêmicos cubanos residentes e emigrantes pediram nesta terça-feira (9) ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que elimine o embargo imposto à ilha desde 1962.

"Presidente Biden, comece a desmontar o sistema de sanções que continua afetando o povo cubano", pedem os signatários de uma carta aberta entregue na representação diplomática dos Estados Unidos em Havana e enviada à Casa Branca.

O texto, publicado na revista digital independente La Joven Cuba e aberto a novas assinaturas, foi firmado por personalidades cubanas de destaque, como o cineasta Fernando Pérez e o ator Jorge Perugorría, além de outras figuras do mundo intelectual e artístico.

Mas também inclui nomes como o de Alan Gross, um terceirizado americano condenado em 2009 a 15 anos de prisão na ilha e libertado em 2014 como parte da reaproximação entre os dois países durante o governo de Barack Obama.

"A administração Trump impôs uma série de sanções que agravam o mais persistente e abrangente bloqueio/embargo já imposto a uma nação", destaca a missiva. "Hoje, nossa gente está sofrendo extraordinariamente com as penúrias econômicas", acrescenta.

O texto também foi assinado pelo jovem dramaturgo Yunior García, um dos iniciadores do movimento 27N e líder do inédito protesto pacífico de artistas de 27 de novembro passado.

Na carta, os signatários dizem que "os Estados Unidos não têm que ser nosso aliado ideológico, mas podem deixar de ser um vizinho hostil".

- "Primeiro passo" -

A carta, que contava com certa de trinta signatários pela manhã, tinha uma centena no meio da tarde e cerca de cem comentários de internautas querendo se somar à iniciativa.

A mensagem fala da luta de Cuba por manter sua soberania e reconhece que, "apesar de todos os patriotas que se sacrificaram por uma Cuba totalmente democrática, ainda estamos longe deste objetivo. No entanto, alcançá-lo é responsabilidade dos cubanos, não de pressões externas", afirmam.

Eles esclarecem que "em vista da assimetria de poder entre os Estados Unidos e Cuba e da unidirecionalidade das sanções, é responsabilidade americana dar o primeiro passo. Fazemos um chamado à fortaleza e aos valores da sua administração".

A publicação da carta ocorre alguns dias depois da apresentação nos Estados Unidos de um projeto de lei do senador democrata Ron Wyden, apoiado por outros três legisladores democratas, que pede a suspensão do embargo americano e o estabelecimento de "relações comerciais normais" entre os dois países.

O presidente Biden, por sua vez, só se comprometeu durante a campanha a reverter as restrições de Trump às viagens e ao envio de dinheiro dos cubanos que vivem nos Estados Unidos a seus familiares na ilha.

Entre os signatários estão também o poeta Alex Fleites, o dramaturgo Anton Arrufat, o acadêmico Carlos Alzugaray, o jornalista Rafael Hernández, os acadêmicos emigrados Arturo López-Levy e Isabel Alfonso, o jurista Julio Antonio Fernández Estrada e o conhecido ativista emigrado e professor cubano-americano Carlos Lazo.

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