Artistas participam de campanha pela liberdade de produtor preso após reconhecimento por foto

Gisele Barros
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Reprodução/Instagram
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RIO — Personalidades negras brasileiras se uniram para participar de uma campanha que pede a liberdade do produtor de eventos Angelo Gustavo Pereira Nobre, de 28 anos. Gustavo, como é mais conhecido, está preso desde o dia 3 de setembro, acusado de ter participado do roubo de um carro em agosto de 2014, no Flamengo, na Zona Sul do Rio. A defesa aponta que ele foi preso injustamente após a vítima do crime alegar que o reconheceu através de uma foto publicada numa rede social.

Ao todo, 12 famosos participaram da campanha. São eles os atores Jonathan Azevedo, Jonathan Haagensen, Jeniffer Nascimento, Marcello Melo Jr., Raphael Logan, Babu Santana e Rafael Zulu.; os cantores Preta Gil, Thiaguinho, Lennon L7 e Djonga; e a filósofa Djamila Ribeiro. Em vídeo, todos recitam trechos de uma carta escrita de próprio punho por Gustavo pouco depois de ele ter sido preso. No texto, o jovem expressa que a acredita ter sido vítima de racismo.

"Fui preso injustamente, nem sei o que dizer…Da (até) um nó na garganta (Como vou me defender?). A Justiça no Brasil não tem como entender. É tanto preconceito, já não tem pra onde correr. (...) Fico muito indignado, minha raça tem um álbum. Meu coração e minha mente seguem tranquilos. Paciência é uma virtude. Eu sou Luz na escuridão", escreveu o produtor na carta.

Confira o vídeo da campanha:

Após duas transferências, Gustavo atualmente está detido no presídio Romeiro Neto, em Magé, na Baixada Fluminense. Recentemente, foi realizada uma audiência com novas testemunhas de defesa que estavam com o produtor no dia e no horário do crime. A revisão criminal será enviada ao Ministério Público, para parecer do procurador. A expectativa é que seja realizado um julgamento ainda neste ano, na primera semana de dezembro.

'Sucessão de erros'

No início de outubro, a Justiça negou liminar que pedia pela soltura do produtor de eventos. Na decisão, a desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) Suely Lopes Magalhães aponta que as declarações prestadas pela vítima do assalta foram "corroboradas pelas demais provas produzidas", o que "inviabiliza o reconhecimento liminar de contrariedade à prova dos autos". Em resposta ao argumento da defesa de que Gustavo tem condições de saúde que podem ser agravadas pelo tempo na prisão, Magalhães ressaltou que Gustavo "não será descuidado pelo sistema, que possui nosocômios (hospitais) próprios para tais fins. Portanto, nada indica, que somente na sua residência poderá alcançar qualquer tipo de tratamento que seja necessário".

Para a advogada Clarissa Oliveira, o processo que levou a prisão de Gustavo foi uma "sucessão de erros". Ela ressalta que diversas decisões do julgamento citam a existência de "outras provas" no caso, mas elas não constam nos documentos. Nem mesmo a foto que a vítima diz ter usado para o reconhecimento.

— Acreditamos no mérito da revisão. É importante ressaltar que em todas as decisões citam "outras provas" no processo, mas elas não existem. Nem mesmo a foto que a vítima diz ter visto de Gustavo ao lado de um suspeito está na denúncia. Havia pelo menos 18 prédios próximo ao local do crime e nenhuma imagem de câmera de segurança foi colhida. O assalto foi cometido por seis pessoas, e deram o caso por encerrado após a vítima dizer que tinha reconhecido duas delas — ressalta.