Asilado em embaixada do Brasil na Bolívia acusa Morales de abuso de poder

O senador de oposição Roger Pinto, refugiado desde maio na embaixada do Brasil em La Paz, declarou nesta segunda-feira, em carta destinada ao presidente da Bolívia, Evo Morales, que o chefe de Estado "abusa do poder", porque seu governo lhe nega um salvo-conduto de saída do país.

"Pode me negar um salvo-conduto e com isto me manter privado da liberdade de movimentos, mas não poderá me impedir de ser autenticamente livre (...). Senhor presidente, o senhor abusa do poder, mas deve saber que há coisas muito mais importantes que não poderá conseguir nem com todo o seu poder", redigiu Pinto na carta a Morales, difundida pela oposição de direita.

A carta foi enviada um dia depois de a ministra da Transparência, Nardi Suxo, dizer que "o chanceler incorreria em descumprimento de deveres" se desse um salvo-conduto a Pinto, que é acusado pela justiça de "crimes comuns".

Pinto, um polêmico pastor protestante, voltou a se considerar em sua carta de "perseguido político".

A ministra das Comunicações da Bolívia, Amanda Dávila, questionou o papel do embaixador do Brasil, Marcel Biato, neste tema, depois de este ter pedido ao governo boliviano para resolver a situação.

Em declarações a jornalistas, Dávila disse: "Condenamos suas declarações, assumindo um papel de porta-voz político e não de diplomático, como tem que ser".

Congressista do partido de direita Convergência Nacional pelo departamento (estado) de Pando (norte), Pinto ingressou na representação diplomática em 29 de maio, denunciando perseguição política. Brasília concedeu asilo a ele quase uma semana depois.

Pinto, de 52 anos, que tem 20 processos abertos contra ele, fez denúncias de corrupção contra o governador de Pando, apoiado pela situação, e disse que havia entregado relatórios reservados a Morales sobre supostos vínculos de autoridades com o narcotráfico.

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