Erdogan diz que postura da França sobre milícia curdo-síria é "equivocada"

Istambul, 30 mar (EFE).- O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, criticou duramente nesta sexta-feira a postura "equivocada" da França, que se ofereceu como mediadora com milícias curdo-sírias que o Executivo em Ancara considera organização "terrorista".

"A Turquia está muito triste com o caminho completamente equivocado que a França tomou a respeito da Síria. Demonstraram claramente a sua postura contra o terrorismo ao receber sete terroristas no Eliseu", declarou Erdogan em discurso na sede do partido, em Ancara, e divulgado pelo jornal "Habertürk".

O presidente fazia referência à reunião de ontem entre o presidente da França, Emmanuel Macron, e representantes das Forças Democráticas da Síria (FDS), liderada pela milícia curdo-síria Unidades de Proteção do Povo (YPG), que luta contra o grupo jihadista Estado Islâmico na Síria. O governo turco considera às YPG como um grupo terrorista pelo vínculo que tem com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) na Turquia.

"Desde quando a Turquia se senta na mesma mesa que organizações terroristas? Os senhores podem se sentar à mesa com elas, mas a Turquia os combate na Síria. Quem são para falar sobre a mediação entre a Turquia e uma organização terrorista? Deveriam considerar os problemas que terão na França. Não estamos brincando. Agora (a França) está debatendo sobre os terroristas (do Estado Islâmico) que estão voltando. A situação que enfrentarão com as YPG não será diferente. Aqueles que dormem e se levantam com terroristas, aqueles que os recebem no seu palácio, cedo ou tarde entenderão o seu erro", advertiu.

O porta-voz do governo turco, Bekir Bozdag, também criticou a oferta de Macron e acusou à França de cooperar com "grupos terroristas".

"Aqueles que cooperem e mostrem solidariedade com grupos terroristas na Turquia se transformarão, como os terroristas, em alvos da Turquia", ameaçou Bozdag numa publicação no Twitter.

O ministro de Relações Exteriores da Turquia, Mevlüt Çavusoglu, falou por telefone esta manhã com o ministro da mesma pasta na França, Jean-Yves Le Drian, após a reunião de Macron.

O presidente francês garantiu após a reunião que "deseja que seja estabelecido um diálogo entre as FDS e a Turquia com a ajuda da França e da comunidade internacional" e esclareceu que também está "comprometido" com a segurança dentro das fronteiras turcas. Macron esclareceu que as FSD garantiram não "ter qualquer laço operacional" com o PKK. EFE