Independentistas catalães fecham estradas em novo dia de protestos

Barcelona (Espanha), 27 mar (EFE).- Grupos de separatistas cortaram nesta terça-feira o tráfego de uma das principais estradas da Catalunha, a AP-7, perto da fronteira da França, onde ficaram retidos cerca de mil veículos, assim como duas das ruas mais importantes de Barcelona, para exigir a libertação dos políticos catalães presos por sua participação no processo de independência dessa região.

As manifestações, às vezes com distúrbios, os cortes de estradas, e as pichações em edifícios oficiais se multiplicaram nos últimos dias nesta região espanhola para protestar contra a prisão de líderes separatistas e a detenção do foragido ex-presidente regional Carles Puigdemont.

O ex-governante independentista foi detido no domingo passado na Alemanha. A Justiça espanhola o reivindica por seu envolvimento no processo de secessão iniciado nessa comunidade autônoma espanhola em 2017.

Os incidentes de domingo em Barcelona acabaram com mais de dez detidos, uma centena de feridos - a maioria de forma leve -, incluindo três agentes da polícia catalã, e vários contêineres de resíduos queimados ou danificados, entre outros danos.

Os cortes viários de hoje foram convocados pelos autodenominados "comitês de defesa da república" catalã, que também rodearam a principal estação de trem de Barcelona, embora não tenham conseguido tomar as vias e paralisar a circulação ferroviária e tenham sido retirados sem incidentes.

No caso da estrada, mil manifestantes, que levavam cartazes para exigir a libertação dos presos, interromperam o tráfego na primeira hora do dia na cidade de Figueras, na província de Girona (nordeste), com a intenção de permanecer lá o dia todo, obrigando as autoridades a desviar o trânsito.

As interrupções de tráfego em Barcelona, que duraram uma hora, segundo fontes da câmara municipal da cidade, foram na Avenida Diagonal e na Meridiana, duas das principais artérias da cidade.

Nesses locais, os independentistas protestavam contra as medidas judiciais de encarceramento e reivindicavam uma greve geral.

A jornada concluiu com a leitura de um manifesto "contra a violência e repressão do Estado espanhol", após o que os organizadores anunciaram através do Twitter o fim da mobilização.

Também hoje sindicatos, entidades sociais, esportivas e culturais se agruparam para criar a plataforma Espai Democràcia i Convivència (Espaço de Democracia e Convivência), e convocaram para o próximo dia 15 de abril uma manifestação em Barcelona para exigir a liberdade dos políticos independentistas. EFE