Assange ataca Obama após discurso na ONU: 'A hora de falar acabou'

NOVA YORK - O fundador do Wikileaks, Julian Assange, fez nesta quarta-feira (26) duras críticas ao presidente americano, Barack Obama, aludindo ao discurso do governante na Assembleia Geral da ONU, quando defendeu a liberdade de expressão. Falando via internet a partir da Embaixada do Equador em Londres, onde recebeu asilo em agosto, Assange disse que "a hora de falar acabou" e afirmou que Obama fez uso político dos levantes populares que levaram à Primavera Árabe:

- Ouvimos belas palavras de Barack Obama, mas é o governo dele que está criminalizando a liberdade de expressão mais que todos os outros juntos. Concordamos com as belas palavras de Obama, mas elas não são nada sem ação. É hora de os EUA cessarem sua perseguição contra o Wikileaks e suas fontes. É hora de Obama fazer a coisa certa e se unir às forças da mudança.

A fala de Assange foi transmitida ao vivo durante um fórum sobre asilo diplomático e direitos humanos realizado na ONU pela missão do Equador na sede da entidade, em paralelo à Assembleia Geral da organização. O fundador do Wikileaks abriu sua participação no evento se dizendo "um homem livre, apesar de estar detido há 659 dias", e atacou a postura dos EUA e de Obama diante da Primavera Árabe:

- Mohamed Bouazizi não ateou fogo a si mesmo para que Obama possa ser reeleito. O Wikileaks revelou que os EUA não apoiaram a onda de mudanças que ocorreu na Tunísia e no Egito. Obama vê as mudanças provocadas pelo povo e tenta assumi-las como se fossem suas - disse Assange, citando o vendedor de frutas que virou mártir da revolução cujo fim levou à derrubada do ditador tunisiano Ben Ali, em janeiro de 2011.

Assange também falou sobre o caso do militar americano Bradley Manning, acusado de vazar documentos secretos dos EUA para o Wikileaks, e lembrado pelo fundador do site como "um patriota torturado por seu próprio governo, que tentou forçá-lo a testemunhar contra mim, e preso há mais de 880 dias sem julgamento."

O ministro das Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patiño, também presente ao fórum, disse que vai pedir ao seu colega do Reino Unido, William Hague, que abra caminho para a viagem de Assange ao Equador. Os dois têm reunião marcada para esta quinta-feira (27), o centésimo dia do fundador do Wikileaks na embaixada equatoriana:

- Não conheço nenhum caso na História em que o asilo diplomático não tenha terminado em liberdade para o asilado. O Equador e Assange estão preparados para batalhar por anos neste caso específico - afirmou Patiño.

Julian Assange teve a prisão decretada na Suécia em 2010 sob a acusação de estupro, além de três casos de abuso sexual e coerção ilegal. Em dezembro daquele ano, foi preso pela polícia britânica. Em junho de 2012, após esgotar os recursos possíveis junto à Justiça do Reino Unido, teve sua extradição autorizada para a Suécia. No mesmo mês, pediu abrigo na Embaixada do Equador em Londres. As negociações entre os governos equatoriano e britânico foram interrompidas em agosto, depois que o Reino Unido anunciou a possibilidade de invadir a sede diplomática do país sul-americano com base em uma lei local.

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