Hacker britânico Lauri Love ganha recurso contra sua extradição aos EUA

Londres, 5 fev (EFE).- O suposto hacker britânico Lauri Love, cuja extradição é exigida pelos Estados Unidos por ter roubado informação oficial de agências americanas como o FBI e a NASA, ganhou nesta segunda-feira um recurso apresentado no Tribunal Superior contra sua entrega a esse país.

Em uma audiência na citada corte londrina, dois juízes indicaram que o recurso foi deferido e o solicitante "fica livre" da extradição.

Os EUA exigem Love, de 32 anos e com síndrome de Asperger, por supostos ciberataques perpetrados em 2012 e 2013 - que podem levar a sentenças de até 99 anos de prisão - nos quais o hacker teria subtraído dados confidenciais de agências como o Federal Reserve, o exército americano, o departamento de Defesa, a NASA e o FBI.

Durante uma audiência anterior, realizada em novembro de 2017, a defesa de Love alegou que uma extradição não resultaria nos "melhores interesses para a justiça" por uma série de motivos.

Entre essas razões estavam o "alto risco" de o britânico, que além do Asperger sofre de uma doença depressiva e eczema grave, chegar a cometer suicídio.

Love, que vive com seus pais perto da localidade de Newmarket, no condado inglês de Suffolk, esteve hoje na audiência para ouvir a decisão dos juízes.

Na sentença, os magistrados especificaram que não viam nenhum motivo pelo qual o hacker não pode agora ser julgado ou processado no Reino Unido pelos crimes dos quais é acusado.

"O que é particularmente importante no caso é que o sistema judicial britânico adotou a posição de que devemos lidar com os nossos problemas nós mesmos, ao invés de aceitar as exigências dos EUA", afirmou um porta-voz da defesa de Love, Kaim Todner.

Por sua vez, Emma Norton, responsável legal da organização de Direitos Humanos Liberty, disse à imprensa local que nos casos em que tenha havido atividades ilegais no Reino Unido, os suspeitos devem ser julgados no país, e "não enviados a cortes estrangeiras diante de sistemas judiciais não familiares".

"Isto é especialmente importante em casos que envolvem pessoas vulneráveis como Lauri Love", acrescentou Emma, que se mostrou satisfeita pela corte ter reconhecido a vulnerabilidade do hacker, bem como as "consequências potencialmente catastróficas" que sua extradição teria causado.

O pai de Love, o reverendo Alexander Love, já alertou que seu filho "temia pela sua vida" ao não se sentir capaz de enfrentar o trauma de ser enviado aos EUA. EFE